motoboy que socorreu mulher trans em BH diz que foi ameaçado por agressores
O motoboy Lauro César Gonçalves Pereira, de 32 anos,
que interrompeu as agressões que, posteriormente, causariam a morte da esteticista Alice Martins Alves
brutalmente espancada no dia 23 de outubro, na Savassi
“Tentaram me oprimir lá, mas ‘nós é motoboy, nós não corre do couro’, não. (…) Podia apanhar, mas não ‘dava nada não’”, afirmou ele, antes de prestar depoimento Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil (DHPP).
“Vaza daqui, mano, não sei o que”. Ele falou para eu não intrometer, que não sei o que. Aí eu fiquei nervoso e xinguei eles também, completou. Assista:
Segundo Lauro, os homens seguiram ameaçando Alice mesmo depois de espancá-la.
“Tavan xingando ela, chamando ela de ladra, de não sei o quê, dizendo que se ela voltasse lá ‘o trem’ iria ficar diferente, que sabiam onde ela trabalhava. Foi meio confuso na hora, mas foi dessa forma”, relatou o motoboy.
Dois funcionários do bar “Rei do Pastel”, também na Savassi, são os principais suspeitos de terem cometido o crime brutal
Motoboy se ofereceu para pagar a conta
Lauro César contou que
chegou a dizer que pagaria a conta a qual os agressores diziam que Alice não tinha pago
“Eu falei assim: ‘Qual é o motivo de vocês terem feito isso com ela?’ ‘É que roubou, agora você vai ficar coitando safada?’ Eu falei: ‘Não, quanto que é?’ Aí ele falou: ‘R$ 22, não sei o que. Você vai pagar então?’ Aí no primeiro momento eu falei que ia pagar, só que eles continuaram gritando, xingando.
Aí acabou que eu apelei com eles também e falei: ‘Oh, velho, o que vocês quiserem aí, é isso mesmo. Só não encosta mais a mão nela, olha que vocês fizeram com a moça aí, não tem nada a ver, só porque que ela fez uma parada. Por que vocês não chamam a polícia?’”, relatou ele.
Alice estava muito machucada
Lauro contou que viu quando uma viatura da polícia passava do outro lado da avenida e acenou para os policiais, para que Alice fosse socorrida. Segundo o homem, ela estava muito machucada quando ele chegou.
“Tava bastante machucada, o rosto bastante machucado. Ela estava desorientada, não conseguia falar muita coisa”, apontou ele.
Quando os policiais chegaram na cena do crime, os agressores já haviam deixado o local.


