Acordo do Mercosul com a União Europeia deve entrar em vigor no 2º semestre, diz Alckmin

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), avalia que o
acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia
deve entrar em vigor no segundo semestre de 2025. A declaração foi dada em entrevista ao Bom Dia, Ministro, programa da EBC, nesta quinta-feira (15).

O acordo será assinado no sábado (17), em viagem da presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, ao Paraguai, que possui a presidência rotativa do bloco de países da América do Sul. Após a assinatura, o Parlamento Europeu e os Congressos membros do Mercosul ainda precisam aprovar as leis que internalizam o acordo.

“A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos, no segundo semestre, a vigência do acordo. Aí, ele entra imediatamente em vigência. (…) Ganha a sociedade, comprando produtos mais baratos e de melhor qualidade. Comércio exterior, hoje, é emprego na veia. Tem determinadas empresas que, se não exportarem, elas fecham”, disse Alckmin.

O vice-presidente também destacou que o acordo é um exemplo de relação bilateral para o mundo, em meio a instabilidade política. “Você dá o exemplo de que é possível, através do diálogo e da negociação, fortalecer o multilateralismo e ter livre comércio”, destacou.

Na última sexta-feira (9), o Conselho Europeu aprovou o acordo em uma reunião realizada em Bruxelas, na Bélgica. O tratado enfrentava uma forte oposição da França, pressionada pelos agricultores que temem uma invasão de commodities no país a preços abaixo da média de mercado. Porém, a oposição francesa não foi suficiente para bloquear o negócio.

O tratado entre o Mercosul e União Europeia busca criar a maior área de comércio do mundo, reunindo cerca de 718 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22 trilhões de dólares. Negociado há mais de 25 anos, o acordo ganhou força com a pressão do Brasil desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu seu terceiro mandato em 2023.

O acordo prevê tarifas reduzidas ou zeradas para uma série de setores industriais e agrícolas, de acordo com as especificidades de cada mercado. Na parte do Mercosul, a oferta é de uma ampla liberalização tarifária de uma cesta de produtos. Cerca de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra de países do bloco da América do Sul podem ter as tarifas zeradas.

Apenas uma parcela reduzida dos bens negociados entre os dois blocos estão sujeitos a alíquotas ou tratamentos não tarifários. Para o setor automotivo, por exemplo, estão em negociação condições especiais para veículos elétricos, movidos a hidrogênio e novas tecnologias em um período de 18, 25 e 30 anos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *