Ibovespa renova recordes pelo 2º dia e pela 1ª vez testa os 166 mil pontos

O Ibovespa fechou pelo segundo dia de recorde, nesta quinta-feira (15), em nova marca inédita, de 165 568,32 pontos, em alta de 0,26% na sessão. Durante o pregão, o indicador também tocou a linha dos 166 mil. Entre a mínima e a máxima, oscilou dos 164.832,53 até os 166.069,94 pontos, novo recorde intraday, tendo saído de abertura aos 165 179,75.

O giro financeiro – muito reforçado na quarta pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa, que o colocou a R$ 65,5 bilhões – ficou hoje em R$ 27,8 bilhões, ainda significativo. Na semana, o índice da B3 acumula ganho de 1,35% e, no mês, avança 2,76%.

A progressão do Ibovespa para novos recordes ocorreu a despeito da queda Petrobras (ON -1,02%, PN -0,63%), papel que vinha dando apoio nas últimas sessões. As ações da estatal conseguiram ao menos se distanciar da forte correção no petróleo, em curso desde o fim da tarde de quarta. O ajuste negativo nos preços da commodity decorre do recuo dos Estados Unidos em relação ao que poderia vir a ser uma intervenção militar direta em apoio à insurgência da população do Irã contra o regime dos aiatolás.

Em Londres e Nova York, os contratos futuros do Brent e do WTI cederam mais de 4%, o que deixou as ações da Petrobras em sentido contrário ao de parte das blue chips. Além da moderação de perdas nos papéis da estatal, o Ibovespa chegou a ganhar fôlego do meio para o fim da tarde com o dinamismo mostrado pelas ações do setor financeiro.

Ao fim, não apenas Santander (Unit -2,47%), mas também Banco do Brasil (ON -0,19%) cederam terreno. Destaque para Bradesco (ON +1,58%, PN +2,05%).

Vale ON, principal ação do Ibovespa, chegou a subir do meio para o fim da tarde, dando impulso ao índice da B3. Contudo, no fechamento, também mostrava sinal negativo, em leve queda de 0,09%. Na ponta ganhadora, destaque para Vamos (+7,61%), Magazine Luiza (+4,05%) e Multiplan (+2,83%). No lado oposto, Smart Fit (-8,17%), Vivara (-6,56%) e C&A (-5,15%).

No noticiário doméstico, não chegou a fazer preço ou trazer estresse a liquidação extrajudicial da Reag e de outra casa financeira, que atuava na área de câmbio, apontaram observadores do mercado. Pelo contrário, “a liquidação da Reag reforça que o Banco Central continua atuando de forma técnica, fazendo o trabalho necessário para evitar uma quebra de confiança”, aponta o estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, em referência à CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da Reag DTVM.

Segundo Rostagno, as maiores preocupações vêm de outros movimentos institucionais, em sentido oposto ao desempenhado pela autarquia no cumprimento de seu papel de fiscalização e supervisão. “O que gera mais preocupação são as medidas envolvendo outros órgãos, como decisões do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Contas da União. Isso, sim, tem causado ruído e apreensão no mercado”, afirma.

Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, o Ibovespa chegou a devolver ganhos após a abertura positiva, refletindo alguma ansiedade em relação à leitura sobre pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, abaixo do esperado, que lançou alguma incerteza sobre a perspectiva próxima para os juros americanos.

“Apesar das incertezas, inclusive geopolíticas, a economia americana segue forte”, com consequências também para a condução da política monetária do Federal Reserve, acrescenta o analista.

Além disso, as leituras de dados dos EUA nesta quinta contribuíram para reforçar a percepção de resiliência, sustentando os rendimentos dos Treasuries na sessão e limitando o espaço para uma queda mais acentuada do dólar global, aponta João Duarte, sócio da ONE Investimentos. No entanto, ressalva Duarte, no Brasil, o real tem se beneficiado do fluxo para ativos de risco e de um contexto de juros ainda elevados, o que tem permitido ao câmbio se ajustar de forma favorável, apesar do leve ganho de força da moeda americana lá fora.

Por aqui, o dólar spot encerrou o dia em baixa de 0,61%, a R$ 5,3681. Em Nova York, os principais índices de ações fecharam o dia em alta: Dow Jones +0,60%, S&P 500 +0,26% e Nasdaq +0,25%.

Na agenda de dados domésticos, contribuíram para dar algum ânimo ao mercado local, ainda pela manhã, os dados sobre o varejo em novembro, divulgados pelo IBGE. “As vendas no varejo aumentaram 1% em comparação a outubro, acima das expectativas, que rondavam alta de 0,30%. Mostra uma economia aquecida, mesmo com os juros altos no Brasil”, diz Andressa Bergamo, sócia da AVG Capital.

Ela acrescenta que a leitura impulsionou parte das ações do setor e as com exposição ao ciclo doméstico, como Magazine Luiza (+4,05%). O índice de consumo (Icon), no entanto, cedeu no fechamento, em baixa de 0,41%, assim como o de materiais básicos (Imat), mais correlacionado ao exterior e que também caiu nesta quinta-feira (-0,49%).

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