Fabiana de Lemos | Quero chorar, mas não tenho lágrimas; conheça a síndrome de Sjögren

Você sente a boca seca ou tem cáries com frequência? Tem sensação de areia nos olhos, como se faltassem lágrimas? Sem sim, vale a pena pesquisar doença de Sjögren, também conhecida com síndrome seca.

Como explica a reumatologista Raquel Guimarães, trata-se de uma inflamação crônica e autoimune, em que os anticorpos da própria pessoa atacam o organismo, principalmente as glândulas, comprometendo a umidade local.

Pacientes com a síndrome de Sjögren podem produzir menos de um terço da quantidade normal de lágrimas e saliva.

Quais os sintomas?

As queixas mais comuns são secura na pele, no nariz, na garganta e na vagina, além de fadiga, dores nas articulações e surgimento de linfonodos (ínguas).

Em casos mais graves, pode haver comprometimento de órgãos internos, como rins, pulmões, fígado, pâncreas e cérebro. Alguns pacientes podem ter febre baixa e perda de peso.

O sexo feminino é mais acometido!

A doença é mais comum em mulheres de meia idade, mas pode ocorrer em homens e em qualquer fase da vida.

A síndrome de Sjögren pode estar associada a outras doenças reumatológicas, como artrite reumatoide, lúpus fritematoso sistêmico e esclerodermia.

Outras causas de ressecamento

Infecções, alguns tipos de reumatismo, outros problemas oculares, efeitos colaterais da radioterapia e de alguns medicamentos podem causar sintomas parecidos.

Dentre as medicações que mais causam secura, podemos citar antidepressivos (amitriptilina, nortriptilina, fluoxetina, sertralina, paroxetina), antialérgicos (loratadina, cetirizina, fexofenadina), remédios usados para doenças da próstata e para queda de cabelos (finasterida, dutasterida), anti-hipertensivos (hidroclorotiazida, atenolol, propranolol) e para o tratamento de acne (isotretinoína).

Como se faz o diagnóstico?

É importante a avaliação inicial de um médico oftalmologista para determinar se realmente há falta de lágrima ou sinais de inflamação na córnea, em decorrência dessa secura.

O reumatologista é o especialista que ajuda nessa investigação e orienta o tratamento da maior parte dos sintomas da síndrome de Sjögren.

Para a confirmação do diagnóstico, além da história clínica e de alterações encontradas durante o exame físico, podem ser necessários exames laboratoriais (coleta de sangue e urina) e de imagem (ultrassonografia ou cintilografia de glândulas salivares). A biópsia da glândula salivar é um procedimento relativamente simples e pode identificar a inflamação local.

Como tratar?

Ainda não existe uma cura definitiva para esta doença, mas o diagnóstico e as intervenções precoces podem melhorar bastante a qualidade de vida dos pacientes.

O tipo do tratamento vai depender da gravidade e da intensidade dos sintomas. Segundo Raquel Guimarães, medidas comportamentais costumam ser suficientes, quando a principal queixa é secura.

Remédios anti-inflamatórios, corticoides e/ou imunossupressores poderão ser necessários em casos mais complexos, com objetivo de controlar a inflamação severa e evitar sequelas.

Avanço da doença

Lesões na córnea, prejuízo do paladar e olfato, dor para comer e engolir, cáries dentárias, cálculos em glândulas salivares, infecção por fungos na boca, dor na relação sexual, tosse e problemas nas cordas vocais são algumas das complicações em pacientes que têm diversas partes do corpo acometidas. Cerca de 20% dos afetados pela doença terão dores nas articulações.

Há um risco aumentado de desenvolver linfoma, um tipo de câncer do sistema linfático.

Doenças dos rins e pulmonares podem ser encontradas em alguns casos, além de pancreatite e vasculite (inflamação de vasos sanguíneos).

Também pode ocorrer o fenômeno de Raynaud, em que as extremidades, principalmente dos dedos das mãos, repentinamente ficam muito pálidas ou arroxeadas. Isso acontece em resposta ao frio ou ao estresse emocional.

O SUS disponibiliza algumas medicações

Sempre que houver a suspeita da doença, o médico especialista deverá ser consultado. Atualmente, há vários tratamentos disponíveis para a síndrome de Sjögren e boa parte das medicações usadas já é fornecida pelo SUS. É possível atingir a remissão do quadro, preservando a qualidade de vida e a funcionalidade!

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