Mercado reduz projeção de corte na Selic e aumenta previsão da inflação em 2026

O mercado financeiro voltou a demonstrar pessimismo em relação a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) sobre a taxa básica de juros, a Selic, na reunião desta quarta-feira (18). Segundo o Boletim Focus desta segunda (16), o corte deve ser de 0,25 ponto percentual (p.p), ante uma redução de 0,50 p.p projetada no
levantamento da semana passada.

O resultado da pesquisa se dá em meio a crise nos combustíveis em razão da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, que desencadeou uma disparada no preço do petróleo com o barril ultrapassando a marca de US$ 100. Com efeito, a Petrobras anunciou um aumento no preço do diesel vendido para as distribuidoras em R$ 0,38 por litro.

A tendência é que o aumento no preço dos combustíveis pressione a inflação em diversos setores, elevando os custos de produção e consumo. A estimativa para a inflação em 2026 subiu 0,19 p.p, de 3,91% na semana passada para 4,10%.

Segundo o economista André Braz, coordenador de índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre), os
combustíveis são a porta de entrada da inflação.
“O espalhamento das pressões inflacionárias vão muito além do que a gente percebe em um possível encarecimento do diesel e da gasolina”, explicou em entrevista à Itatiaia.

Braz ressalta que toda a cadeia produtiva pode ficar mais cara e comprometer até a política monetária do Banco Central, que já havia sinalizado a possibilidade de fazer o primeiro corte na taxa básica de juros na reunião desta semana. Atualmente, a Selic está fixada em 15% ao ano, mas o mercado espera que até o final do ano ela encerre em 12,25%. “É um desafio a mais para botar a inflação na meta, dada a importância que o petróleo tem”, disse.

Preço do dólar e PIB

Apesar da alta na inflação e na Selic, o Focus segue mostrando queda no câmbio pela quarta semana seguida. Dessa vez, os especialistas apontaram para uma redução de R$ 5,41 para R$ 5,40. A alta no petróleo pode favorecer o real, moeda extremamente sensível à valorização da commodity, uma vez que o país é produtor e exportador do produto.

No lado do Produto Interno Bruto (PIB), o mercado fez uma leve correção na projeção para 2026, de 1,82% para 1,83%. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia nacional cresceu 2,3% em 2025, com impulso da agropecuária (11,7%) durante o período de safra recorde.

Boletim Focus 16/3

Focus 2026 2027 2028 2029
IPCA 4,10% 3,80% 3,50% 3,50%
PIB Total 1,83% 1,80% 2,00% 2,00%
Câmbio R$ 5,40 R$ 5,47 R$ 5,50 R$ 5,51
Selic 12,25% 10,50% 10,00% 9,50%

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