Cientistas descobrem centenas de variantes genéticas ligadas à depressão

Um estudo internacional que reuniu cientistas de 29 países analisou dados genéticos de mais de cinco milhões de pessoas e identificou 697 variações associadas à depressão, sendo quase 300 delas descritas pela primeira vez. As descobertas ampliam o conhecimento sobre os mecanismos biológicos da doença e podem contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos.

A pesquisa contou com a participação de especialistas ligados ao Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental, sediado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Segundo o psiquiatra Pedro Mario Pan, coinvestigador da coorte brasileira de alto risco para transtornos mentais, a depressão é uma condição frequente na população.

De acordo com o especialista, estimativas conservadoras indicam que entre 5% e 10% das pessoas podem apresentar um episódio depressivo em determinado momento da vida. Quando analisado ao longo de toda a trajetória de vida, esse número tende a aumentar. Estudos longitudinais, que acompanham os mesmos indivíduos por períodos prolongados, sugerem que o risco acumulado pode ser ainda maior.

“De forma conservadora, cerca de uma em cada quatro pessoas pode desenvolver depressão em algum momento da vida”, explica Pan. Segundo ele, o acompanhamento contínuo das mesmas pessoas ao longo do tempo permite compreender melhor a evolução do risco e a dinâmica da doença.

Avanços na psiquiatria genética

A análise do genoma já vem sendo utilizada na psiquiatria há anos, mas o novo estudo representa um avanço importante ao ampliar a diversidade genética das amostras avaliadas. Grande parte das pesquisas anteriores baseava-se predominantemente em dados de populações europeias. A inclusão de participantes de diferentes ancestralidades contribui para tornar os resultados mais representativos a nível global.

As variações genéticas identificadas estão associadas a neurônios localizados em regiões do cérebro responsáveis pela regulação das emoções. Para os pesquisadores, essas informações ajudam a compreender melhor como a depressão se desenvolve no organismo e abrem caminho para estratégias terapêuticas mais direcionadas.

Entre as possibilidades investigadas está o reaproveitamento de medicamentos já utilizados para outras condições, como dor crônica e distúrbios do sono. No entanto, os cientistas ressaltam que novos estudos e ensaios clínicos ainda são necessários para confirmar a eficácia dessas substâncias no tratamento da depressão.

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