Antonio Bortoletto | O raio-X do franchising em 2025: maturidade, digitalização e o recorde de R$ 300 bilhões

Hoje, o mercado brasileiro de franquias apresentou um balanço que é, acima de tudo, um atestado de maturidade e força econômica. Em 2025, o setor não apenas cresceu; ele rompeu uma barreira histórica ao atingir um faturamento consolidado de R$ 301,7 bilhões. Esse montante representa uma alta expressiva de 10,5% em relação ao ano anterior, superando inclusive as nossas projeções mais otimistas. O que impressiona nesse resultado é o contexto de sua construção: ele ocorre em um cenário de economia global moderada e cautela externa, provando que o motor do franchising é o consumo doméstico resiliente e a capacidade de adaptação do empresário brasileiro. O setor encerrou o período com 202.444 operações ativas no país e, mais do que números em uma planilha, isso significa um impacto social direto, sendo responsável por 1,76 milhão de empregos diretos. Para se ter uma ideia da força desse modelo como gerador de oportunidades, cada operação de franquia sustenta, em média, 9 postos de trabalho.

Ao mergulharmos nos motivos desse desempenho, percebemos mudanças claras no comportamento do consumidor. O segmento de Limpeza e Conservação liderou o crescimento anual com uma alta de 16,8%, impulsionado por novos serviços como as lavanderias autosserviço, que atendem à busca por praticidade e à transformação dos espaços de moradia. Logo atrás, o setor de Saúde, Beleza e Bem-Estar avançou 14,6%, consolidando as farmácias como hubs de saúde e refletindo um aumento recorde na massa salarial, que impulsionou o ticket médio. Até mesmo o setor de Alimentação, focado em comercialização e distribuição, cresceu 12,9% com a expansão de mercados autônomos e lojas de conveniência no retorno ao trabalho presencial.

Outro pilar fundamental dessa engrenagem são as microfranquias, modelos com investimento de até R$ 135 mil que se tornaram a grande porta de entrada para o empreendedorismo estratégico. As 20 maiores marcas desse grupo cresceram 17% em número de operações em 2025, somando mais de 21 mil unidades. É um modelo que respira a nova economia, com 51% de suas operações funcionando no formato home based, permitindo uma capilaridade impressionante. Marcas como market4u, com 2.554 unidades, e a Prudential, com 2.320, mostram que o sucesso hoje depende de estar onde o cliente está.

No topo da pirâmide, o ranking das 50 maiores marcas associadas à ABF em 2025 reforça a soberania das empresas nacionais, que representam 88% do grupo. A Cacau Show mantém a liderança isolada com 4.713 operações, seguida pelo O Boticário (3.898), McDonald’s (2.774), Ortobom (2.387) e Lubrax+ (1.632). É notável que, para ingressar nesse seleto clube das 50 maiores, uma marca agora precisa de, no mínimo, 420 unidades, um sarrafo que sobe a cada ano.

Como Diretor Regional da ABF, vejo que a concentração de 45% das operações no Sudeste coloca Minas Gerais no centro dessa discussão estratégica. Minha percepção é que o franchising é o porto seguro do investidor brasileiro porque oferece a previsibilidade que o capital isolado não possui. Em Minas, estamos vendo uma profissionalização sem precedentes, onde a colaboração em rede permite que as empresas preservem caixa e expandam mesmo em cenários desafiadores. Não estamos apenas vendendo marcas; estamos gerando economia real em cada município.

Para 2026, as projeções seguem otimistas, com expectativa de crescimento no faturamento entre 8% e 10% e uma continuidade na expansão de redes e empregos. Com a inflação sob controle e o mercado de trabalho aquecido, o recado para o empresário é um só: em um cenário de mudanças rápidas, estar conectado a uma rede colaborativa não é apenas uma estratégia de negócio, é a maior vantagem competitiva que você pode ter. O franchising brasileiro não apenas movimenta bilhões; ele move o Brasil.

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