Estudo brasileiro aponta proteína como responsável pelo avanço agressivo do câncer de pâncreas
Um estudo com participação de pesquisadores brasileiros identificou uma proteína associada ao avanço do
câncer
Na pesquisa, foi observado que as células pancreáticas estreladas, ao produzirem periostina, remodelam o tecido do órgão e facilitam a infiltração das células cancerígenas.
Segundo o oncologista clínico da Universidade de São Paulo (USP) Jorge Sabbaga, diretor do Departamento de Oncologia Gastrointestinal do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), essas células têm papel estrutural importante no órgão.
“Grande parte do pâncreas é construída por essas células”, explica o especialista ao Jornal da USP.
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Ele destaca que um dos grandes desafios no tratamento é a dificuldade de penetrar no tumor, que costuma ser recoberto por uma matriz extracelular densa. Nesse contexto, o excesso de periostina nas células estreladas pode favorecer a disseminação da doença.
Apesar do potencial da descoberta, o médico avalia os achados com cautela.
Câncer letal
No Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 13 mil pessoas morrem por ano em decorrência do câncer de pâncreas. Embora represente aproximadamente 2% das neoplasias, a doença está entre as principais causas de morte por câncer.
“A taxa de letalidade do câncer de pâncreas é muito próxima da taxa de incidência”, diz Sabbaga. “A enorme maioria dos pacientes diagnosticados com tumor de pâncreas acaba falecendo.”
O especialista ressalta que, apesar de ainda ser um tumor altamente letal, houve avanços importantes nas últimas décadas, tanto na oncologia quanto na cirurgia.
Segundo ele, novos medicamentos e esquemas terapêicos têm ampliado as possibilidades de controle da doença, e alguns pacientes já conseguem alcançar a cura.
No universo das neoplasias, o câncer de pâncreas não está entre os mais comuns quando comparado a tumores como os de próstata, pulmão ou mama. Ainda assim, preocupa pela dificuldade de detecção precoce.
Atualmente, não há uma forma eficaz de prevenção ou rastreamento populacional da doença, o que faz com que muitos casos sejam diagnosticados já em estágio avançado.


