Polilaminina não é indicada para todos os pacientes, alerta ortopedista
A
polilaminina
Segundo o ortopedista especialista em coluna vertebral Daniel Oliveira, o tema exige cuidado e análise individual de cada paciente.
Para entender quando a substância poderia ser considerada, é importante diferenciar os tipos de lesão medular.
Lesão incompleta
Na lesão incompleta, ainda existe alguma passagem de estímulos nervosos abaixo do ponto lesionado. O paciente pode manter parte da sensibilidade ou da força muscular. Nesses casos, há possibilidade de recuperação por meio da chamada plasticidade neural, a capacidade do sistema nervoso de reorganizar conexões, principalmente com reabilitação intensiva nos primeiros meses após o trauma.
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De acordo com o especialista, esse cenário exige atenção redobrada. Como ainda existem fibras funcionando, uma intervenção invasiva pode trazer riscos, como inflamação adicional ou até prejuízo de vias neurais preservadas.
Lesão completa
Já na lesão completa, não há função motora ou sensitiva detectável abaixo do nível da lesão no exame clínico. Nesse contexto, o raciocínio teórico para uso de biomateriais regenerativos é diferente, pois parte da ausência de condução neural clínica.
Mesmo assim, Oliveira ressalta que a regeneração do sistema nervoso central humano é um processo altamente complexo e que pode existir atividade microscópica não identificada nos exames convencionais.
Até o momento, não há ensaios clínicos randomizados e revisados por pares que comprovem que a polilaminina seja capaz de restaurar conexões funcionais na medula espinhal humana. Por isso, o uso da substância ainda não faz parte de diretrizes médicas formais.
“O mais importante é que qualquer decisão seja baseada em evidência científica e com acompanhamento especializado”, reforça o ortopedista.
A Anvisa autorizou, no início de janeiro deste ano, o começo da fase 1 de estudos clínicos para avaliar a segurança da polilaminina em humanos.
Enquanto os ensaios mais amplos não são concluídos, alguns pacientes têm recorrido à Justiça para obter acesso ao tratamento por meio do chamado uso compassivo. Até o momento, dezenas de pedidos foram protocolados, e parte deles recebeu autorização.
Como a polilaminina funciona
A medula espinhal é a principal via de comunicação entre o cérebro e o restante do corpo. Quando ocorre uma lesão, esses sinais deixam de chegar aos músculos e órgãos.
A polilaminina é formada por uma rede de proteínas chamadas lamininas, que podem favorecer a recuperação dos axônios, estruturas dos neurônios responsáveis por conduzir a informação. A proposta do biomaterial é justamente ajudar a restabelecer conexões interrompidas após o trauma.
A pesquisa teve início sob coordenação da bióloga
Tatiana Sampaio


