A chave para o desenvolvimento e qualidade de vida

A infraestrutura de
energia
é um pilar essencial para o funcionamento das cidades e impacta a qualidade de vida urbana em diversas dimensões, das atividades domésticas mais simples à competitividade econômica e à resiliência diante de desastres.

A presença da energia é percebida dentro das casas, nos cabos e postes de transmissão e na iluminação pública. Todo esse sistema é sustentado por uma estrutura mais ampla, formada por grandes centros de geração, como
usinas hidrelétricas
,
eólicas
e
solares fotovoltaicas
, geralmente localizadas longe dos centros consumidores.

De acordo com o consultor de energia, Sérgio Pataca, essa infraestrutura é decisiva para a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico. Ele defende a modernização de redes antigas por meio de tecnologias como redes inteligentes, automação e planejamento urbano integrado, capazes de suportar novas demandas tecnológicas.

“Quanto maior a qualidade de vida da sociedade, a gente pode olhar até o ranking das populações: quando é maior o índice de desenvolvimento daquela sociedade, maior o consumo de energia. Por quê? Porque usam tecnologias mais desenvolvidas, que consomem mais energia, transportes”, aponta.

A energia sustenta desde serviços básicos, como a iluminação pública e o funcionamento de semáforos, até atividades domésticas e o atendimento hospitalar.
A infraestrutura energética também é fator decisivo para a competitividade econômica
: indústrias e negócios de alta tecnologia, ligados à Indústria 5.0 e à inteligência artificial, exigem fornecimento estável e de qualidade. Cidades que não planejam sua expansão energética acabam limitando a geração de empregos e o crescimento.

Sérgio Pataca ressalta ainda que a rede elétrica precisa ser mais resiliente diante de eventos climáticos extremos, que já demonstram capacidade de paralisar grandes centros urbanos.

“Podemos citar o caso da cidade de São Paulo, que no ano passado ficou três dias sem luz. Isso na maior metrópole do Brasil. Ficou três dias parada, sem luz, com toda a sua infraestrutura paralisada, hospitais realmente não funcionando, e a qualidade de vida da população reduziu muito em três dias”, exemplifica.

Segundo o consultor, a falta de investimento afeta de forma desigual certas regiões das cidades, onde são comuns
ligações precárias
,
maior peso da conta de luz no orçamento familiar
e menor capacidade de atrair atividades econômicas.

“Nas periferias, o interesse econômico é mais baixo por causa das perdas não técnicas, que a gente chama de ‘gatos’, que são furtos de energia. Então, a infraestrutura básica é um grande problema nessas regiões. Não só na questão de energia, mas também no abastecimento e nas estradas, que muitas vezes são feitas pela própria comunidade. Então, é essencial os governantes observarem o planejamento das periferias e também dos centros urbanos, já que a infraestrutura, principalmente a de energia, é necessária para a qualidade de vida”, detalha.

De acordo com Pataca, para atender às novas demandas, como data centers e veículos elétricos, o modelo atual precisa evoluir para redes inteligentes, com automação, medidores digitais e sistemas de redundância que reduzam falhas, deem mais controle ao consumidor e garantam maior segurança energética para as cidades do futuro.

“Então é necessária uma visão do século XXI, de realmente modificar e observar o plano diretor, observar a infraestrutura de energia para a gente analisar todas essas questões e ter uma qualidade compatível com a necessidade da sociedade”, afirma Sérgio Pacta.

Infraestrutura energética em números

Em 2024, foram adicionados 4.003 quilômetros de linhas de transmissão, fazendo o Brasil atingir mais de 176 mil quilômetros de extensão na rede básica, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

De acordo com relatório da EPE, o consumo total de energia elétrica no país chegou a 561,6 TWh, cerca de 5,6% acima do registrado no ano anterior. A Região Sudeste, responsável por 47,8% do consumo nacional, apresentou o menor crescimento no período (5,2%). Já as regiões Norte e Centro-Oeste, apesar de terem menor participação no consumo total, registraram as maiores taxas de crescimento (6,9% e 6,0%, respectivamente), ao lado da Região Sul (6,0%).

As hidrelétricas seguem como a principal fonte de geração no Brasil. No entanto, o destaque do ano foi a expansão da geração solar fotovoltaica, cuja capacidade instalada cresceu 28% em relação a 2023, alcançando 48.468 MW e superando a potência instalada das usinas termelétricas.

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