Fictor pede recuperação judicial dois meses após tentar comprar Banco Master por R$ 3 bi

A
Fictor Holding Financeira
entrou com um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) no último domingo (1). A instituição ganhou destaque nos noticiários em novembro do ano passado quando tentou comprar o Banco Master dias antes do Banco Central
determinar a liquidação extrajudicial da organização
.

No pedido, a empresa alega ter uma dívida de R$ 4 bilhões e solicitou tutela de urgência para suspender as transações da financeira por um período inicial de 180 dias.

A Fictor cita a repercussão negativa após a tentativa de compra do Master como uma das razões que levaram a um colapso temporário nos fluxos operacionais da instituição e obrigaram a rescisão contratual de fornecedores de serviços.

Em trecho do pedido de recuperação judicial, a Fictor cita ter sido alvo de matérias e investigações jornalísticas que colocaram a credibilidade da instituição em xeque e motivaram uma postura mais cautelosa de parceiros, fornecedores, clientes e sócios. A empresa alega que houve uma alta de pedidos de retiradas nos contratos de Sociedade em Conta de Participação.

O pedido de recuperação judicial é uma tentativa de evitar a falência da empresa a partir da solicitação à Justiça por um tempo para reorganização de dívidas e suspensão das cobranças.

Tentativa de compra do Master

Em novembro de 2025, junto a um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, a Fictor anunciou a intenção de adquirir o Banco Master. A operação incluía o aporte de R$ 3 bilhões para reforçar o capital da instituição presidida por
Daniel Vorcaro
.

A tentativa foi frustrada pelo decreto de liquidação extrajudicial do Master em 18 de novembro devido à fragilidade e falta de liquidez das operações da instituição. Na mesma data, a Polícia Federal prendeu o fundador e controlador do banco, Daniel Vorcaro, no âmbito de investigações sobre crimes financeiros.

Em nota enviada à reportagem, a Fictor afirma que o pedido de recuperação judicial está relacionado à tentativa frustrada do Master e a repercussão negativa da operação anunciada e não concluída.

“O pedido de recuperação judicial é consequência da crise de liquidez momentânea originada a partir de 18 de novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Um consórcio liderado pelo sócio do Grupo Fictor fez uma oferta para a aquisição e transferência de controle do Master, mas com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, diz a nota.

A Polícia Federal apura um sistema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro orquestrada pelo Banco Master e fundos de investimento que funcionavam como laranjas para Vorcaro e seus sócios. A instituição inflava valores artificialmente e promovia pagamentos a investidores com baixa liquidez

Desde dezembro, o caso está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) sob
relatoria do ministro Dias Toffoli
por haver indícios de participação de autoridades com prerrogativa de foro privilegiado no caso.

A repercussão do caso extrapolou o mercado financeiro, atingiu o Supremo Tribunal Federal e a classe política de forma generalizada a partir de uma intrincada
rede de influências construída por Vorcaro nos últimos anos
.

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