Dia Mundial do Queijo: como o acordo UE-Mercosul vai impactar a produção em Minas

No
Dia Mundial do Queijo
, celebrado nesta segunda-feira (20), o alimento que simboliza a identidade gastronômica de Minas Gerais também ganha protagonismo no debate econômico. O
acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia
, que cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, deve impactar diretamente o setor de queijos, com reflexos positivos e desafios para os produtores brasileiros.

Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Comissão Europeia, o acordo prevê a redução gradual de tarifas para o comércio de queijos entre os dois blocos, por meio de cotas tarifárias. No caso das exportações do Mercosul para a União Europeia, os queijos brasileiros poderão acessar o mercado europeu com tarifas progressivamente menores ao longo de um período de cerca de dez anos, respeitando volumes previamente estabelecidos.

Na outra direção, queijos europeus também terão redução gradual das tarifas de importação no Mercosul, em cronogramas que podem chegar a até 15 anos, conforme detalhado em documentos oficiais divulgados pela Comissão Europeia. A medida tende a ampliar a oferta desses produtos no mercado brasileiro e aumentar a concorrência.

Minas Gerais no centro da discussão

De acordo com dados do Governo de Minas Gerais e da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, o estado está entre os principais exportadores do agronegócio brasileiro para a Europa. A redução das barreiras comerciais pode favorecer a entrada de
queijos mineiros artesanais
em países europeus, onde produtos de origem certificada têm alto valor cultural e comercial.

No entanto, especialistas ligados ao setor alertam que o acesso ao mercado europeu exige adequação rigorosa às normas sanitárias e diferenciação clara do produto, especialmente diante da forte tradição queijeira de países como França, Itália e Espanha.

Indicação Geográfica como ferramenta estratégica

Nesse contexto, a
Indicação Geográfica (IG)
surge como um dos principais instrumentos de proteção e valorização dos queijos mineiros. Segundo o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a IG reconhece o vínculo entre produto, território e modo de fazer, garantindo autenticidade e proteção no mercado nacional e internacional.

Atualmente, Minas Gerais conta com os seguintes queijos artesanais com IG reconhecida:

  • Queijo Minas Artesanal da Canastra
  • Queijo Minas Artesanal do Serro
  • Queijo Minas Artesanal de Araxá
  • Queijo Minas Artesanal do Campo das Vertentes
  • Queijo Minas Artesanal do Cerrado, no Alto Paranaíba

Estudos conduzidos pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e pelo Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT) indicam que outras regiões, como o Triângulo Mineiro, áreas da Mantiqueira de Minas e o Sul de Minas, especialmente produções com leite cru, têm potencial para obter novos registros de IG.

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