Cidade espanhola proíbe festivais religiosos muçulmanos em espaços públicos

A cidade de Jumilla, em Múrcia, no sudeste da
Espanha
, proibiu os muçulmanos de usar instalações públicas, como centros e academias, para celebrar os festivais religiosos Eid al-Fitr, que marca o fim do
Ramadã
. Algo inédito no país.

A proibição foi introduzida pelo conservador Partido Popular (PP) e aprovada com apoio do partido de
extrema-direita, Vox
.

A proposta afirma que “as instalações desportivas municipais não podem ser utilizadas para atividades religiosas, culturais ou sociais estranhas à identidade espanhola, a menos que sejam “organizadas pela autoridade local”.

O partido local Vox publicou no
X (antigo Twitter): “Graças ao Vox, foi aprovada a primeira medida para proibir festivais islâmicos em espaços públicos da Espanha. A Espanha é e será para sempre a terra dos cristãos”.

Jumilla tem uma população de cerca de 27.000 habitantes, dos quais 7,5% vêm de países
predominantemente muçulmanos
.

Mounir Benjelloun Andaloussi Azhari, presidente da Federação Espanhola de Organizações Islâmicas, disse ao jornal El País que a proposta era “islamofóbica e discriminatória”.

“Eles não estão perseguindo outras religiões, estão perseguindo a nossa”, afirmou.

Francisco Lucas, o líder socialista em Múrcia, também se pronunciou no X.

“O PP viola a constituição e coloca a coesão social em risco simplesmente pela busca do poder”, declarou.

A decisão ainda pode ser contestada, uma vez que viola o artigo 16 da Constituição espanhola, que afirma: “É garantida a liberdade de ideologia, religião e culto dos indivíduos e das comunidades, sem qualquer outra restrição à sua expressão além daquela necessária para manter a ordem pública protegida por lei”.


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