Broncopneumonia de Bolsonaro pode causar sepse e deixar sequelas, alerta médica
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está
internado
broncopneumonia bacteriana bilateral
A equipe que cuida de Bolsonaro no hospital emitiu um boletim médico nesta sexta-feira (13). “Foi submetido a exames de imagens e laboratoriais que confirmaram broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. No momento encontra-se internado em unidade de terapia intensiva, em tratamento com antibioticoterapia venosa e suporte clínico não invasivo”, diz o comunicado.
Michele Andreata, médica pneumologista da Saúde no Lar, explica que “a broncopneumonia é um tipo de infecção pulmonar que afeta simultaneamente os bronquíolos, que são pequenas ramificações das vias aéreas, e os alvéolos, estruturas responsáveis pelas trocas gasosas no pulmão”. A doença pode ser causada por fungos, vírus ou bactérias e é mais comum entre pacientes com sistema imunológico mais fragilizado, idosos, crianças pequenas ou portadores de doenças crônicas respiratórias.
A médica explica que os sintomas da doença variam conforme a intensidade da inflamação. “Geralmente incluem febre, tosse persistente, produção de catarro, falta de ar, cansaço, dor no peito ao respirar ou tossir e sensação de mal-estar geral. Em idosos, os sinais podem ser mais discretos e incluir confusão mental, sonolência ou queda do estado geral. Em alguns casos, a pessoa também pode apresentar respiração acelerada, chiado no peito e dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia”, detalha.
O diagnóstico é feito por meio de avaliação clínica. Para confirmar a suspeita, o médico pode solicitar exames de imagem, como radiografia ou tomografia do tórax. “Dependendo da situação, também podem ser solicitados exames laboratoriais, como exames de sangue ou análise do escarro, para identificar o agente causador da infecção e orientar o tratamento mais adequado”, disse à reportagem a médica Michele Andreata.
O tratamento, assim como os sintomas, também depende da intensidade da doença. “Quando a infecção é bacteriana, o uso de antibióticos costuma ser necessário. Além disso, podem ser indicados medicamentos para controle da febre, hidratação adequada, repouso e, em alguns casos, fisioterapia respiratória para ajudar na eliminação de secreções.”
A broncopneumonia pode se tornar grave, “especialmente em idosos, crianças pequenas, pessoas com doenças pulmonares crônicas, pacientes imunossuprimidos ou portadores de doenças cardíacas e metabólicas”, alerta a pneumologista. “Nesses grupos, a infecção pode evoluir com insuficiência respiratória, sepse ou necessidade de suporte intensivo, o que aumenta o risco de complicações e, em situações mais severas, pode levar ao óbito.”
Na maioria dos pacientes, a recuperação é completa, sem sequelas. Porém, em casos graves, a broncopneumonia pode causar “redução da capacidade pulmonar, persistência de tosse ou maior predisposição a novas infecções respiratórias”, diz a médica.


