Mercado de feijão inicia março mais lento após forte valorização em fevereiro
Após as fortes valorizações registradas em fevereiro, o mercado brasileiro de feijão iniciou março em ritmo mais lento. Segundo o Indicador Cepea/CNA, compradores têm atuado com maior cautela, aguardando a reação do atacado e do varejo antes de retomar aquisições mais intensas, enquanto produtores seguem ofertando volumes de forma escalonada.
No comércio exterior, as exportações brasileiras de feijão totalizaram 26,6 mil toneladas em fevereiro, volume 21,6% menor que o de janeiro, mas 77,9% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. A maior parte correspondeu a feijões do grupo Vigna mungo ou radiata, seguida pelo feijão-fradinho e pelo feijão preto.
Feijão carioca
O mercado do feijão carioca de notas 9 ou superiores registrou valorização mensal próxima de 30% em fevereiro, enquanto a demanda recuou nos últimos dias. Segundo agentes consultados pelo Cepea, a dificuldade de repassar as altas ao longo da cadeia levou compradores a priorizar a liquidação dos estoques antes de realizar novas compras.
Entre 27 de fevereiro e 6 de março, esse movimento resultou em recuos nas cotações em algumas praças, como Curitiba, com queda de 1,59%, e Itapeva, com retração de 0,82%. Em contrapartida, a oferta restrita sustentou altas no Noroeste de Minas, de 1,49%, e no Leste Goiano, de 0,5%. Mesmo com a desaceleração nas negociações, a média parcial de março permanece 8,5% acima da registrada em fevereiro.
Para o feijão carioca de notas 8 e 8,5, a menor presença de compradores e o aumento da disposição de venda pressionaram os preços entre o final de fevereiro e o início de março. Na média das regiões acompanhadas, as cotações recuaram cerca de 2,2%, com maior pressão em Minas Gerais. Ainda assim, os preços médios de março permanecem 9,4% acima dos de fevereiro.
Feijão preto
No mercado do feijão preto, o equilíbrio entre os estoques formados anteriormente, a entrada da entressafra do Paraná e a perspectiva de menor área na segunda safra têm influenciado as negociações.
A menor presença de compradores levou a recuos em Curitiba de 0,88% e em Itapeva, de 0,94%. Em contrapartida, as cotações permaneceram estáveis na Metade Sul do Paraná e avançaram 2,5% no Oeste Catarinense, acompanhando a proximidade do encerramento da colheita.


