Defasagem no preço do diesel e da gasolina dispara com alta do petróleo

A disparada no preço do petróleo em meio a
guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã
, aumentou a defasagem dos combustíveis no Brasil se comparado com os preços internacionais. Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a Petrobras está vendendo o diesel 85% mais barato que o mercado externo, enquanto no caso da gasolina o preço é 49% menor.

Em uma nota divulgada no último dia 5 de março, a Abicom afirmou que os consumidores estão expostos a diferentes níveis de preços do óleo diesel e da gasolina, e defendeu que os preços acompanhem o mercado internacional.

“O acompanhamento dos preços dos combustíveis no mercado nacional aos preços do mercado internacional é recomendável para mitigar riscos de desabastecimento e desalinhamento dos fluxos logísticos existentes na cadeia de suprimentos”, disse a entidade.

Segundo o relatório do Preço de Paridade Internacional (PPI), o litro do diesel é vendido R$ 2,74 mais barato do que no mercado internacional quando revendido nos polos da Petrobras. No caso da gasolina, a defasagem é de R$ 1,22 por litro.

A defasagem média nos principais polos do país, para além dos da principal petrolífera brasileira, é ligeiramente menor. No caso do óleo diesel, a diferença é de 78% menor do que o preço internacional, cerca de R$ 2,58 mais barato. Em relação ao litro da gasolina, a diferença é de 46%, ou R$ 1,16.

Petrobras descarta reajuste nos preços

Na sexta-feira (6), a
presidente da Petrobras, Magda Chambriard
, disse que não vai haver um reajuste imediato no preço dos combustíveis. Segundo a executiva, a estatal ainda analisa o cenário de volatilidade causado pela guerra no Oriente Médio no preço do petróleo. O barril do tipo Brent disparou mais de 7% no pregão desta segunda e atingiu US$ 99,39, o maior valor desde 2024, enquanto o barril WTI sobe 4,65% a US$ 95,14.

Em conversa com analistas para explicar o resultado financeiro da Petrobras em 2025, a Chambriard disse que, no momento, ainda se pergunta qual a tendência dos preços e se a alta é uma pico momentâneo. “Esta pergunta ainda não está respondida”, disse.

A presidente da Petrobras explicou ainda que o repasse dos preços deve ocorrer em caso de alta contínua e duradoura dos preços do petróleo. “Mas, nesse momento, a gente ainda não tem certeza dessa premissa”, ressaltou a presidente da Petrobras.

Paridade de preços dos combustíveis acabou em 2023

A empresa encerrou a política de paridade internacional de preços em 2023, no início do terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e na gestão de Jean Paul Prates. Pela regra anterior, as oscilações de preço no mercado internacional eram automaticamente reajustadas no mercado nacional.

Na época, a estatal informou que os reajustes continuarão sendo feitos sem periodicidade definida, evitando repasses para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio.

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