Entenda os riscos silenciosos por trás da perda auditiva em idosos
Considerada uma condição extremamente comum no envelhecimento, a
perda auditiva
impactos no cérebro
“A perda auditiva é uma condição extremamente comum no envelhecimento, mas ainda é frequentemente subestimada tanto pelos próprios idosos quanto por suas famílias. O grande problema é que, na maioria das vezes, ela se instala de forma lenta e silenciosa, o que faz com que muitas pessoas se adaptem à dificuldade de ouvir sem perceber a dimensão do prejuízo funcional e cognitivo que isso pode trazer”, apontou Simone.
Os impactos no cérebro, por exemplo, são um dos principais riscos associados à perda auditiva. “Estudos científicos robustos mostram que idosos com perda auditiva não tratada apresentam maior risco de declínio cognitivo e de desenvolvimento de demências, incluindo a doença de Alzheimer”, lembrou.
Além disso, ainda conforme a médica, a perda auditiva é considerada o fator de risco modificável número 1 para demência na meia-idade/início da velhice. Ela reforçou ainda que a privação sensorial leva à atrofia cerebral acelerada.
“Isso ocorre porque o cérebro passa a gastar mais energia tentando interpretar sons e palavras, reduzindo a capacidade de processar outras informações. Além disso, a diminuição do estímulo auditivo pode contribuir para alterações nas redes neurais relacionadas à memória e à linguagem”, acrescentou.
Isolamento social
A médica também apontou que em razão da perda auditiva muitos idosos começam a evitar conversas, encontros familiares ou ambientes com mais pessoas. Isso, pois sentem dificuldade de acompanhar os diálogos. A escolha acaba ocasionando no isolamento social.
“O isolamento não é apenas um “sentimento”, mas um marcador de fragilidade. Na prática de consultório, muitas vezes o idoso é rotulado como “confuso” ou “desatento” quando, na verdade, ele apenas não está processando os estímulos sonoros”, lembrou Simone de Paula Lima.
O afastamento pode levar a sentimentos de frustração, solidão e até depressão.
Risco de quedas
O comprometimento auditivo pode afetar também a habilidade do idoso de perceber o ambiente ao redor. De acordo com a médica, isso ocorre pois a audição participa da nossa percepção espacial e do equilíbrio. Com isso, a vulnerabilidade a acidentes domésticos aumenta.
Descoberta precoce
Uma investigação precoce da perda auditiva é fundamental para a qualidade de vida do idoso, apontou a médica. Ela explicou que, muitas vezes, a família percebe primeiro sinais como aumento do volume da televisão, dificuldade de entender conversas ou pedidos frequentes para repetir frases.
A partir dos primeiros sinais, a indicação é que um médico e um fonoaudiólogo sejam procurados para uma avaliação.
Por isso, é fundamental que a perda auditiva seja reconhecida e investigada precocemente. Muitas vezes a família percebe primeiro sinais como aumento do volume da televisão, dificuldade de entender conversas ou pedidos frequentes para repetir frases.
Nesses casos, a avaliação com médico e fonoaudiólogo é essencial. “Hoje existem recursos eficazes, como aparelhos auditivos modernos e estratégias de reabilitação auditiva, que podem reduzir significativamente os impactos dessa condição”, afirmou.
“Importante também a avaliação dos medicamentos ototóxicos que muitas vezes passam despercebidos em prescrições complexas. O teste de sussurro (Whisper Test) ou da otoscopia simples são essenciais para descartar cerume impactado antes de encaminhar para a audiometria”, continuou.


