os principais erros que colocam no risco da malha fina
A declaração do Imposto de Renda em 2026 exige atenção dos milhões de contribuintes brasileiros para que não caiam na malha fina, estágio em que o documento fica retida para análise das inconsistências encontradas pela Receita Federal. Ainda sem uma data oficial, o calendário de entrega do IRPF deve começar na segunda quinzena de março e ir até o final de maio.
Em 2025, cerca de 3,97 milhões de declarações ficaram retidas, segundo dados da própria Receita Federal. O número corresponde a 8,7% das declarações enviadas, sendo que na grande maioria dos casos ocorrem erros simples, omissões ou divergências de informações.
De acordo com o contador e gerente de controladoria da Multimarcas Consórcios, Flávio Augusto Sampaio, muitas vezes o contribuinte acredita que pequenos valores não fazem a diferença, mas o cruzamento de dados da Receita consegue identificar as divergências automaticamente. “Organização e conferência minuciosa das informações são fundamentais para evitar problemas futuros”, disse.
O especialista destacou os principais motivos que levam milhões de contribuintes a caírem na “temível” malha fina. Entre eles estão erros com despesas médicas, omissão de rendimentos, erro na declaração de investimentos, e até mesmo informações incorretas sobre pensão alimentícia. Veja a lista a seguir:
Erros com despesas médicas
Despesas médicas são um dos principais motivos da fiscalização. Informar valores maiores do que os pagos, lançar despesas não dedutíveis ou não, possuir comprovantes pode levar à retenção da declaração. A Receita Federal mencionou que, no ano passado, este foi o maior motivo de declarações que caíram na “malha fina”, sendo 32,6% os motivos das retenções. Segundo Flávio Menezes, “as despesas médicas costumam chamar a atenção porque não têm limite de dedução, o que leva alguns contribuintes a exagerar ou cometer equívocos. Sem comprovante idôneo, o risco de cair na malha fina é praticamente certo”.
Omissão de rendimentos
Também é considerado um dos erros mais frequentes. Deixar de declarar salários, trabalhos como autônomos, aluguéis, pensões, aposentadorias ou rendimentos de dependentes gera divergência automática, pois a Receita cruza dados com empresas, bancos e outras fontes pagadoras. Nesse quesito, cerca de 30,8% declarações foram retidas diante de omissão de rendimentos, incluindo renda não declarada pelos titulares ou seus dependentes.
Problemas com dependentes
Incluir dependentes que já constam em outra declaração, como no caso de pais separados, ou esquecer de declarar os rendimentos do dependente é um erro comum.
Informar valores diferentes dos informes de rendimento
Digitar valores incorretos – mesmo que sejam centavos – pode gerar inconsistência. É fundamental conferir os dados exatamente como constam nos informes fornecidos por empresas e instituições financeiras.
Informações incorretas sobre pensão alimentícia
A pensão alimentícia só pode ser deduzida quando há decisão judicial ou acordo homologado. Valores informais não são aceitos como dedução. Pagamentos informais, ainda que recorrentes, não têm validade para fins de dedução. É preciso respaldo legal para evitar questionamentos”, explica o especialista.
Erros na declaração de investimentos
Ganhos como ações, fundos imobiliários, criptomoedas e outros investimentos precisam ser declarados corretamente. A omissão de lucro em operações na bolsa ou venda de bens é frequentemente identificada por meio de cruzamento de dados. Cerca de 15,1% das omissões são resultados dessa divergência entre os valores declarados pelos contribuintes e os informados pelas fontes pagadoras na Dirf.
Venda de imóveis ou veículos sem apuração de ganho de capital
Ao vender um bem com lucro, é necessário calcular e recolher o imposto sobre ganho de capital. Não informar essa operação pode gerar pendências. “A venda de um bem é um evento relevante para a Receita. Ignorar o ganho de capital pode resultar em multa e juros”, acrescenta o especialista.


