entenda a doença que o ator enfrentava

O
ator Eric Dane morreu aos 53 anos nessa última quinta-feira (19)
. Conhecido por interpretar o cirurgião plástico Mark Sloan na série Grey’s Anatomy, o artista enfrentava esclerose lateral amiotrófica (ELA).

Dane havia tornado público o diagnóstico há cerca de dez meses e, desde então, recebia cuidados de enfermagem 24 horas por dia. As informações sobre a rotina de tratamento foram divulgadas pela revista com base em relato da atriz Rebecca Gayheart, ex-mulher do ator.

O neurologista cooperado da Unimed-BH e presidente da Sociedade Mineira de Neurologia, Fidel Meira, esclareceu à Itatiaia as principais dúvidas sobre a doença.

O que é a ELA e como ela afeta o corpo?

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete os neurônios motores, células responsáveis por levar comandos do cérebro e da medula aos músculos.

Segundo Fidel Meira, a doença atinge tanto o neurônio motor superior (no cérebro) quanto o inferior (no tronco cerebral e na medula espinhal). Como consequência, ocorre uma combinação de:

  • fraqueza muscular
  • atrofia
  • espasticidade (rigidez)
  • reflexos exaltados

Com a progressão, os músculos ficam cada vez mais fracos e podem evoluir para paralisia. A musculatura respiratória também pode ser afetada, e a insuficiência respiratória está entre as principais causas de morte.

Após o início dos sintomas, a sobrevida média costuma variar de três a cinco anos, embora exista grande variabilidade individual.


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Quais são os primeiros sinais e sintomas?

A ELA geralmente começa de forma lenta e localizada. Em cerca de 70% a 80% dos casos, o início ocorre com fraqueza em um membro, normalmente uma mão ou um pé.

Os primeiros sinais podem incluir:

  • dificuldade para abotoar roupas ou escrever
  • dificuldade para manusear objetos pequenos
  • quedas frequentes ou “pé caído”
  • cãibras
  • fasciculações (pequenas contrações musculares involuntárias)
  • sensação de rigidez ou de membro pesado

Em aproximadamente 20% dos pacientes ocorre a forma de início bulbar, que começa com:

  • fala embolada (disartria)
  • dificuldade para engolir (disfagia)

Com a progressão, podem surgir dificuldade respiratória, alterações emocionais, como riso ou choro involuntários (afeto pseudobulbar), e, em alguns casos, mudanças cognitivas e comportamentais.

A ELA tem cura? Quais são os tratamentos?

Atualmente, não existe cura para a ELA.

Segundo o neurologista, há medicamentos que podem retardar discretamente a progressão da doença e prolongar a sobrevida. Entre eles está o riluzol (disponível pelo SUS) e a edaravona (não amplamente disponível na rede pública).

No entanto, o ponto central do cuidado é o tratamento multidisciplinar, que pode incluir:

  • suporte ventilatório não invasivo
  • gastrostomia para nutrição quando há disfagia
  • controle de espasticidade e cãibras
  • manejo de salivação excessiva
  • tratamento de sintomas psiquiátricos
  • dispositivos de auxílio à marcha e comunicação

Quem tem mais risco de desenvolver a doença?

Na maioria dos casos, a causa da ELA é desconhecida.

Entre 5% e 10% dos casos são familiares, associados a alterações genéticas específicas. Nesses cenários, a testagem genética pode ser indicada, principalmente para aconselhamento familiar.

A incidência aumenta com a idade. Em geral, pacientes que iniciam a doença com acometimento de membros (e não bulbar) costumam ter prognóstico um pouco melhor.

Como a ELA impacta a qualidade de vida?

Com a progressão, a doença pode levar à perda de autonomia, afetando:

  • mobilidade
  • comunicação
  • alimentação
  • respiração

Também podem ocorrer dor, depressão, alterações de humor e, em alguns casos, comprometimento cognitivo.

No dia a dia, ajudam:

  • órteses, andadores ou cadeira de rodas
  • adaptação de utensílios de alimentação
  • sistemas eletrônicos de comunicação
  • ventilação não invasiva
  • planejamento antecipado de cuidados

A integração precoce dos cuidados paliativos também é recomendada para reduzir sofrimento e apoiar pacientes e familiares ao longo da evolução da doença.

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