Países pregam cautela com derrubada do tarifaço de Donald Trump

Os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos começaram a reagir à decisão da Suprema Corte que
derrubou as tarifas criadas pelo presidente Donald Trump
, nesta sexta-feira (20). Até o momento, porta-vozes dos governos pregam cautela e atenção com a medida que pode fazer com que a Casa Branca devolva bilhões arrecadados com a política tarifária do republicano.

O Reino Unido disse que trabalha com os EUA para avaliar como a revogação das tarifas afetará o acordo comercial entre os dois países. O governo britânico ressalta que espera manter uma posição privilegiada com as menores tarifas do mundo, atualmente limitadas a 10% sobre a maioria dos produtos. “Em qualquer cenário, esperamos que a nossa posição comercial privilegiada se mantenha”, disse.

Um porta-voz da União Europeia para o Comércio, Olof Gill, destacou que o bloco analisa “cuidadosamente” a decisão da Suprema Corte, e vai continuar defendendo tarifas mais baixas. Ele ainda ressalta que as empresas dependem da estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais. “Continuamos em contato próximo com o governo dos EUA, buscando esclarecimentos sobre as medidas que pretendem tomar em resposta a essa decisão”, afirmou.

O Canadá, por meio do ministro do Comércio Internacional, Dominic LeBlanc, afirmou que as tarifas de Donald Trump eram “injustificadas”. Ele destaca que as sobretaxas que causam prejuízo ao país, especialmente as setoriais que afetam as indústrias de aço e alumínio, permanecem em vigor.

A decisão é a principal derrota de Trump até o momento do seu segundo mandato. A Suprema Corte decidiu por seis votos a três que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional “não autoriza o presidente a impor tarifas” unilateralmente.

O julgamento se arrastava desde o ano passado, quando um tribunal de apelação havia decretado a ilegalidade das sobretaxas. O Departamento de Justiça então entrou com recurso contra a decisão da instância inferior, mas não teve sucesso. Com a derrota, os Estados Unidos podem ter que devolver bilhões em receitas adquiridas desde que o tarifaço entrou em vigor.

No parecer do maioria, o juiz John Roberts afirmou que Trump reivindicou um “poder extraordinário”. “Considerando a amplitude, o histórico e o contexto constitucional dessa autoridade reivindicada, ele deve identificar uma autorização clara do Congresso para exercê-la”, disse.

Em agosto do ano passado, Trump chegou a criticar a decisão do tribunal de apelações, afirmando que se ela fosse mantida “literalmente destruiria os Estados Unidos. “Todos devemos lembrar que as TARIFAS são a melhor ferramenta para ajudar nossos trabalhadores e apoiar empresas que produzem excelentes produtos FEITOS NOS EUA”, disse.

Segundo um estudo da Penn-Wharton Budget Model, grupo de pesquisa da Universidade da Pensilvânia, os Estados Unidos devem reembolsar mais de R$ 911,87 bilhões (US$ 175 bilhões) em arrecadações das tarifas.

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