Influenciadora relata ter linfoma associado à prótese de silicone; saiba o que é o BIA-ALCL

A influenciadora Evelin Camargo revelou nas redes sociais nessa quarta-feira (3) que foi diagnosticada com Linfoma Anaplásico de Grandes Células Associado a Implante Mamário, também chamado de BIA-ALCL.

A criadora de conteúdo, que faz vídeos ao lado do marido, Leo Bagarolo, relatou que fez o implante de silicone nos seios há alguns anos e, em dezembro de 2025, percebeu um aumento repentino nas mamas. Após uma série de exames, ela foi diagnosticada e fará o explante da prótese.

Segundo o mastologista Henrique Lima Couto, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional de Minas Gerai, o BIA-ALCL é um câncer nos linfócitos, as células de defesa da mama. “Ele normalmente se desenvolve devido a uma inflamação crônica, comumente associada à presença de próteses de silicone há mais tempo, de uso crônico”, explicou.

O médico ressaltou que a condição é muito rara. “Ela é muito rara, não caracterizando-se como razão ou motivo para a paciente deixar de fazer cirurgias estéticas ou deixar de fazer uma reconstrução da mama devido ao risco, por é muito raro”, reiterou.

Sintomas e tratamento

A médica hematologista Paula Marum, do Hospital Felício Rocho, apontou que o BIA-ALCL é diferente de um câncer de mama. Com isso, o tratamento e acompanhamento são distintos de pacientes que tiveram câncer de mama.

“O linfoma anaplásico de grandes células é caracterizado pela presença de células anaplásicas CD30 positivas e ALK negativas, marcadores que se distinguem daqueles encontrados no câncer de mama. A condição está associada à presença do implante mamário, sendo mais comum em implantes texturizados”, explicou.

No geral, segundo a médica, o tratamento consiste na remoção da cápsula e do implante. “Na maioria dos casos, este procedimento é suficiente, sem necessidade de quimioterapia adicional”, apontou.

Mulheres com idades próximas aos 50 anos têm mais chance de desenvolver a doença. A qualidade e textura da cápsula do implante são fatores de risco, sendo os implantes macrotexturizados com mais risco de recorrência.

Os sintomas são: seroma tardio, caracterizado pelo acúmulo de líquido próximo à cápsula, assimetria mamária, dor na mama, eritema cutâneo (vermelhidão, prurido (coceira) no local, contratura capsular e presença de massa palpável. Também pode haver linfonodomegalia, que é o aumento nos linfonodos do mesmo lado da mama afetada.

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