Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa, diz diretor do BC
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, disse em depoimento à Polícia Federal (PF) que o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa antes da liquidação extrajudicial, decretada pela autoridade monetária em novembro de 2025. O sigilo da oitiva foi derrubado por
decisão do ministro Dias Toffoli
Aquino foi ouvido pela PF no mesmo dia que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e o
ex-presidente do Banco de Brasília (BRB),
“Apesar do Master ser um típico S3, médio porte, dado a crise liquidez do Master e com R$ 80 bilhões de ativos totais, o acompanhamento por parte da supervisão era fundamental para entender a liquidez. Para pontuar isso claramente: um banco de R$ 80 bi tem liquidez de R$ 3 bi a R$4 bi em títulos livres. O Master antes da liquidação só tinha 4 milhões de reais no caixa”, disse Aquino.
O técnico da autoridade monetária ainda citou o caso do Will Bank, braço digital do conglomerado de Vorcaro, como um dos entraves que levaram à liquidação do Master. A instituição chegou a ser poupada em um primeiro momento
devido a possibilidade de venda para investidores estrangeiros
Aquino citou à PF as dificuldades do Will Bank, e afirmou que a autoridade monetária já monitorava o conglomerado antes mesmo da crise de liquidez. Antes de ser fechado oficialmente, a fintech operava em um Regime de Administração Especial Temporária (Raet), em que o BC intervém na diretoria e mantém o funcionamento.
Ele afirmou ainda que haviam
muitos ativos do Will no balanço do BRB
“Quando ‘Dona Maria’ não conseguir comprar mais com cartão de crédito, a probabilidade muito grande é que ela — e aí é um juízo de valor — não vai pagar o boleto do cartão, vai ter outro cartão. Isto aqui é baseado na nossa experiência, por isso a diretoria resolveu um Raet”, explicou Aquino.


