Investimento privado já responde por 72% dos aportes em infraestrutura no Brasil


Levantamentos de associações ligadas ao setor de infraestrutura indicam que, em 2025, mais de 72% dos investimentos na área vieram da iniciativa privada
. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que os aportes se concentram principalmente em energia elétrica, telecomunicações, transporte e saneamento.

Para Ramon Cunha, especialista em infraestrutura da CNI, o protagonismo da iniciativa privada é uma resposta direta à baixa capacidade de investimento do poder público. Segundo ele, nas últimas décadas o Brasil tem aplicado entre 0,4% e 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano em transportes, percentual considerado insuficiente.

“Estimativas indicam que os investimentos deveriam alcançar cerca de 2,2% do PIB ao ano para que o país tivesse uma infraestrutura adequada. Nesse cenário, o capital privado exerce papel fundamental, especialmente diante das atuais restrições fiscais”, afirma.

Na avaliação de Camilo Fraga, sócio-fundador e diretor do Grupo Houer, uma das maiores empresas de consultoria em projetos de infraestrutura e a maior verificadora independente de projetos do Brasil, a ampliação da participação privada também está ligada a mecanismos de incentivo, como as debêntures incentivadas. Esses títulos permitem que empresas financiem obras de infraestrutura e recebam retorno com benefícios fiscais.

“Hoje o investimento privado é fundamental para a infraestrutura no Brasil, já superando a parte pública. Existem instrumentos que foram importantes para que a participação privada alcançasse um volume muito maior do que a pública. Um dos principais são as debêntures incentivadas, que foram fundamentais para atrair recursos privados para a infraestrutura. Isso também ocorre em outros países. O papel do setor público é, principalmente, atuar em projetos onde não há atratividade para o mercado privado. Onde há atratividade, é melhor que o recurso privado seja executado”, detalha Camilo Fraga.

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