Will Bank foi preservado da liquidação do Master por possível venda, mas negócio fracassou
O Will Bank, braço digital do Banco Master, foi preservado da liquidação extrajudicial do conglomerado de Daniel Vorcaro, decretada em novembro de 2025 pelo Banco Central, por haver a possibilidade de venda da sua operação. Porém, o negócio não avançou, e diante da dificuldade em honrar compromissos com a Mastercard, a
financeira foi fechada definitivamente nesta quarta-feira (21).
Na época em que liquidou o Master, o BC decidiu colocar o Banco Master Múltiplo S.A, controlador do Will Bank, em Regime Especial de Administração Temporária (RAET) enquanto se desenrolava as negociações para a venda. A medida permitia o funcionamento da instituição, mas afastava toda a diretoria.
Segundo o BC, o RAET é adotado quando a instituição, em razão do seu porte ou complexidade operacional, desempenha funções críticas para a economia real ou quando a paralisação abrupta do seu funcionamento pode causar riscos à estabilidade financeira. O regime é encerrado se houver solução de mercado para a instituição. Não havendo, é decretada a liquidação extrajudicial.
Somente o Will Bank e o Banco Master Múltiplo haviam sidos poupados na primeira liquidação do conglomerado. Haviam sido encerrados as operações do Master, Master de Investimentos S.A, Banco Letsbank S.A, e Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Ainda de acordo com o BC, a solução para a operação do Will Bank não se mostrou viável, verificando-se o
descumprimento da grade de pagamentos com o arranjo Mastercard
“Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial. O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais”, disse o BC.
O conglomerado do Master e Daniel Vorcaro foram alvo da operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As apurações começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
A investigação resultou na liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central. Na época, o BC citou uma “grave crise de liquidez” do conglomerado, o que compromete significativamente a situação econômico-financeira, e citou “graves violações às normas que regem a atividade das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).


