‘Escolhemos comércio ao invés de tarifas’

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou o acordo de livre comércio com o Mercosul neste sábado (17), durante a assinatura do tratado em Assunção, no Paraguai. Em seu discurso, a líder do bloco europeu destacou que os países reforçaram suas posições em um ambiente geopolítico “cada vez mais turbulento”.

Segundo von der Leyen, o acordo vai criar a maior zona de comércio do mundo, com mais de 700 milhões de pessoas e 20% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Ela classificou o acordo como “fenomenal” e afirma que é uma “mensagem forte” para o restante do mundo.

“Escolhemos o comércio justo em vez das tarifas, nós escolhemos uma parceria produtiva em vez de isolamento e acima de tudo queremos dar benefícios reais para nossas populações”, disse, em uma referência as tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A assinatura do acordo ocorreu após mais de 25 anos de negociação entre os dois blocos. Segundo o presidente do Conselho Europeu, António da Costa, o acordo reforça a posição dos países em um ambiente geopolítico ‘cada vez mais turbulento’. “O acordo é um marco autêntico dentro da aposta da União Europeia para reforçar nossa segurança econômica por meio da abertura de novos mercados”, disse.

A cerimônia no Paraguai reuniu centenas de líderes europeus e sul-americanos, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), elogiado durante algumas falas, não compareceu. O Palácio do Planalto não justificou a ausência do petista. O brasileiro chegou a encontrar von der Leyen nessa sexta-feira (16), no Rio de Janeiro.

O acordo prevê tarifas reduzidas ou zeradas para uma série de setores industriais e agrícolas, de acordo com as especificidades de cada mercado. Na parte do Mercosul, a oferta é de uma ampla liberalização tarifária de uma cesta de produtos. Cerca de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra de países do bloco da América do Sul podem ter as tarifas zeradas.

Apenas uma parcela reduzida dos bens negociados entre os dois blocos estão sujeitos a alíquotas ou tratamentos não tarifários. Para o setor automotivo, por exemplo, estão em negociação condições especiais para veículos elétricos, movidos a hidrogênio e novas tecnologias em um período de 18, 25 e 30 anos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *