Brasil classifica prisão de Maduro como ‘sequestro’ durante reunião da OEA

O
representante do Brasil no Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos)
, o embaixador Benoni Belli, tratou a
captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro
como um sequestro.

“Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso”, disse, durante reunião extraordinária nesta terça-feira (6).

Para o embaixador, as ações atuais dos EUA evocam tempos considerados ultrapassados, mas que “voltam a assolar a América Latina e o Caribe”.

“A ação que acaba de acontecer não só viola a proibição do uso da força como lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”, afirmou.

Assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Belli citou a soberania nacional como algo fundamental. “A soberania nacional, sustentada no direito internacional e nas instituições multilaterais, é fundamental para que os povos possam exercer sua autodeterminação. O edifício multilateral, apesar de suas imperfeições, constitui o único instrumento disponível para assegurar racionalidade, igualdade e justiça entre as nações”, reiterou.

Belli afirmou que, se isso for perdido, os países perderão não só a independência, mas também a “dignidade nacional”, tornando-se “coadjuvantes” na definição dos próprios destinos.

“O Brasil está convencido, nesse sentido, de que somente um processo político inclusivo, liderado pelas e pelos venezuelanos, livre de ingerências externas, pode conduzir a uma solução que respeite a vontade do povo venezuelano e dignidade humana do país”, concluiu.

Cronologia da prisão de Maduro

Ataque e captura (02h50 – 03h20)

Operação concluída (06h21 – 13h40)

  • 06h21 | Anúncio de Trump: Através da rede Truth Social, Donald Trump oficializou a captura: “Os EUA realizaram com sucesso um ataque de grande escala.
    Maduro foi capturado
    e retirado do país por via aérea”.
  • 06h40 | Reação Venezuelana: A TV estatal da Venezuela classificou a ação como “sequestro” e uma “violação flagrante da soberania e da Carta das Nações Unidas”. O governo chavista acusou os EUA de tentarem confiscar os recursos minerais e o petróleo do país.
  • 13h23 | A Foto do Flagra:
    Trump publicou a primeira imagem de Maduro sob custódia
    . Na foto, o venezuelano aparece
    algemado, com os olhos vendados e usando fones de ouvido
    .
  • 13h40 | Governo de Transição: Em coletiva em Mar-a-Lago, Trump afirmou que os EUA governarão a Venezuela imediatamente para garantir uma “transição sensata”. Ele descartou o apoio à opositora María Corina Machado, afirmando que ela não teria força para governar sozinha.

Situação da Venezuela (15h00 – 18h40)

  • 15h00 | Substituição em Caracas: A
    vice-presidente Delcy Rodríguez
    rejeitou a autoridade americana e convocou um conselho especial de defesa. No entanto, a Suprema Corte da Venezuela ordenou que Rodríguez assuma a presidência interina para garantir a continuidade administrativa do país.
  • 18h40 | Desembarque em Nova York: A aeronave militar com Maduro pousou na Base Aérea de Stewart, em Nova York. Escoltado por mais de uma dúzia de agentes federais da DEA, Maduro foi visto algemado e vestindo roupas cinzas. Ele passou pelo processo de fichamento, incluindo coleta de digitais e fotos judiciais.

Prisão (23h00)

Julgamento

Às 14h desta segunda-feira (5), Maduro passou por audiência de custódia. O
juiz federal Alvin K. Hellerstein
, de 92 anos, é responsável pelo caso. Ele e a esposa,
Cilia Flores
, se
declararam inocentes
.

Uma
nova audiência sobre o caso foi marcada para o dia 17 de março
, às 11h do horário local, sendo 13h em Brasília.

*Com CNN Brasil


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