PIB cresce 4,3% no terceiro semestre de 2025, contrariando previsões

A economia dos Estados Unidos registrou um crescimento de 4,3% na projeção anual no terceiro semestre de 2025. O número está acima do esperado pelos analistas, segundo dados oficiais divulgados nesta terça-feira (23).

Os especialistas esperavam um aumento anualizado do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 3,2%, segundo publicações da MarketWatch e Trading Economics. O trimestre anterior registrou um aumento de 3,8%.

Nos
EUA,
o serviço de estatísticas do Departamento de Comércio (BEA) realiza a medição do PIB de uma forma particular: o resultado do trimestre é usado para projetar qual seria o crescimento ao longo de 12 meses se aquele ritmo fosse mantido.

Em comparação com o
segundo trimestre,
o crescimento foi de 1,1%. O PIB do país norte-americano foi impulsionado, principalmente, por um aumento do consumo, pelas exportações e pelos gastos públicos, parcialmente compensados para baixo devido a uma queda do investimento, segundo o Departamento de Comércio.

Acima do esperado

Os últimos dados divulgados são uma estimativa preliminar. Segundo a AFP, eles foram publicados com quase dois meses de atraso, devido ao “shutdown” (de 1º de outubro a 12 de novembro), que suspendeu o trabalho das agências de estatística devido à falta de orçamento.

O indicador positivo esfriou os mercados financeiros norte-americanos, que devem abrir operando no vermelho.

Sob o efeito dos dados trimestrais do PIB, a bolsa de Nova York abriu sem fôlego nesta terça. Nas primeiras operações, o Dow Jones registrou uma queda de 0,17%, enquanto o índice Nasdaq recuou 0,10% e o índice amplo S&P 500 se mantinha perto do equilíbrio (-0,08%).

Para Wall Street, “com um PIB tão forte, o
Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) tem um motivo a mais para preferir o status quo (das taxas de juros) em sua próxima reunião”, explicou à AFP Sam Stovall, analista da empresa CFRA.

Expectativas para 2025

Os mercados financeiros ainda esperavam uma queda nas taxas de juros do Fed em 28 de janeiro para impulsionar ainda mais o crescimento. Até agora, o PIB tem evoluído aos tropeços.

No começo do ano, foi registrada uma contração inesperada (-0,6%), devido a uma avalanche de importações em antecipação às tarifas aduaneiras que o
presidente Donald Trump
estava impondo.

O segundo trimestre surpreendeu no sentido contrário. Um recuo das importações e um consumo sólido deram impulso à economia.

Futuro incerto

Os representantes do Fed esperavam que os Estados Unidos encerrassem 2025 com um de 1,7% em relação ao último ano.

O PIB crescia 2,8% na projeção anual no fim de 2024, ou seja, antes da volta de Trump à Casa Branca, em janeiro.

Para o Executivo norte-americano, sua política, denominada “pró-crescimento”, com tarifas aduaneiras, redução de impostos e desregulamentação, está produzindo resultados positivos.

Em meio às pesquisas que mostram um aumento no descontentamento dos eleitores em relação ao custo de vida, o governo destaca os créditos fiscais adicionais – que deveriam receber no próximo ano.

A Pantheon Macroeconomics estima que estes créditos fiscais terão um “impacto moderado” sobre o crescimento em 2026, pois “o nível relativamente baixo da confiança dos consumidores tende a sugerir que muitas famílias vão poupar grande parte” desse dinheiro.

Alguns economistas consideram, ainda, que o crescimento está pouco equilibrado, uma vez que se apoia nos investimentos em inteligência artificial (IA) e na construção de centros de dados, enquanto setores mais tradicionais estão estagnados.

*Com informações de AFP

**Sob supervisão de Edu Oliveira

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