Presidente da FIEMG compara redução da jornada de trabalho com ‘impressão’ de dinheiro
O presidente da
Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais
Flávio Roscoe
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala de seis dias de trabalho
O empresário foi convidado para participar, nesta segunda-feira (15), de uma audiência pública da Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, realizada na
Assembleia Legislativa de Minas Gerais
Durante o discurso, Roscoe defendeu o que chamou de “pacto da produtividade”, uma vez que, segundo ele, “a redução da jornada de trabalho sem aumento da produtividade gera inflação e desemprego”. “Se com canetada aumentasse emprego, vamos zerar a jornada de trabalho. Vamos ter zero horas de jornada. Canetada não zera desemprego. Precisamos trabalhar com pautas que sejam viáveis a longo prazo”, declarou.
Segundo dados apresentados pela FIEMG, a taxa de crescimento da produtividade do Brasil, entre 1990 e 2024, foi de cerca de 0,9% ao ano, enquanto países como China, Índia e Coreia do Sul registraram taxas de 8%, 5,1% e 4,2%, respectivamente.
Entre os motivos listados por Roscoe para o baixo crescimento do Brasil, em comparação com outros países, estão:
- infraestrutura logística deficitária;
- complexidade regulatória e insegurança jurídica;
- alta carga tributária;
- menor nível de educação e qualificação profissional;
- baixo nível de intensidade tecnológica.
Atualmente, o limite constitucional é que o funcionário cumpra até 44 horas semanais de trabalho. A Constituição também prevê que a redução da jornada pode ser negociada de forma coletiva. “O que defendemos é que o status quo atual, que dá preferência à negociação para esse assunto, seja mantido, permitindo que as categorias que puderem reduzir suas jornadas o façam. As que não puderem, que se mantenham como estão. É opção do empregado estar naquela categoria ou em outra”, sugeriu o presidente da FIEMG.
Ele mencionou uma tendência mundial de redução das jornadas de trabalho. Em países como Alemanha, Espanha e Bélgica, por exemplo, foram criados programas de incentivo para que as empresas diminuam a carga horária dos funcionários.
O empresário, no entanto, defende que as alternativas sejam pactuadas, e não impostas por “canetadas” do governo federal ou do Legislativo. “A tendência no mundo inteiro, inclusive no Brasil, é que a jornada caia, como já vem ocorrendo. Mas isso deve acontecer de maneira negociada, de acordo com os aumentos de produtividade, e não por uma decisão unilateral do Estado, que terá consequências em todos os setores e será irreversível, sem o cálculo de todos os impactos da competição global e da inserção do Brasil na cadeia global de suprimentos”, avaliou.
As declarações de Roscoe repercutiram entre os parlamentares presentes. Favorável à proposta discutida em Brasília, o deputado federal Leonardo Monteiro afirmou que não se trata de uma “canetada” e defendeu que o tema vem sendo amplamente debatido com os setores interessados. “Não se trata de imposição, pelo contrário. Com todo respeito à opinião da FIEMG, estamos promovendo um grande debate na Comissão do Trabalho, com representantes do setor produtivo e dos trabalhadores”, respondeu.
O deputado estadual Celinho Sintrocel (PCdoB) também rebateu Roscoe no que diz respeito à negociação entre patrões e funcionários. Embora essa negociação seja permitida por lei, segundo ele, ela é pouco viável e pouco funcional na prática do dia a dia das corporações. “O processo de negociação existe, mas, na hora de sentar à mesa, a maioria dos empresários não concede nada do que está na pauta dos trabalhadores”, disse.
Prioridade para 2026
Em um café da manhã com jornalistas, na última sexta-feira (12), o ministro
Guilherme Boulos
governo Lula
Na mesma semana, a PEC de autoria do senador
Paulo Paim
aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado
O Planalto aceita negociar uma jornada de até, no máximo, 40 horas semanais, desde que haja pelo menos dois dias de folga, respeitando a jornada diária máxima de 8 horas de trabalho.


