Programas sociais e baixa no desemprego contribuíram para queda da pobreza
O fortalecimento de programas sociais e o mercado de trabalho aquecido contribuíram para a
queda no número de pessoas na pobreza e extrema pobreza no país
O percentual da população abaixo das linhas de pobreza e extrema pobreza está em queda acentuada desde 2021, quando atingiram o ápice durante a pandemia de Covid-19. Naquele ano, o Auxilio Brasil, então o principal programa social de transferência de renda, passou a ser pago a partir de abril.
Na época, 18 milhões de pessoas viviam na extrema pobreza, cerca de 9% da população, e outras 76 milhões de pessoas estavam na linha da pobreza (36,8%). No ano passado, cerca de 7,3 milhões de pessoas (3,5%) eram consideradas extremamente pobres, enquanto 48,9 milhões (23,1%) estavam abaixo da linha da pobreza.
“O resultado é um reflexo tanto do aumento da renda, porque a ocupação também aumentou no período, quanto do incremento de programas sociais. O Bolsa Família, o Pé-de-Meia, tudo ajuda a aumentar a renda por domicílio, e isso faz com que a população abaixo da linha da pobreza geral diminua”, explicou Breno Rodrigues, tecnologista do IBGE, em entrevista à Itatiaia.
O Banco Mundial considera as pessoas na pobreza aquelas que vivem com rendimento domiciliar per capita inferior a R$ 694 por mês (US$ 6,85 por dia). Já a classificação de extrema pobreza considera a população que sobrevive com R$ 218 por mês (US$ 2,15 por dia).
Em 2024, a taxa de desocupação foi a menor da série histórica iniciada em 2012, medida em 6,6%. No mesmo sentido, o nível de emprego atingiu o maior patamar da pesquisa, em 58,6%. Segundo o IBGE, a população ocupada no ano passado era de cerca de 101,3 milhões, um aumento de 2,6 milhões se comparado com 2023.
Entre os homens, cerca de 68,8% das pessoas estavam ocupadas, enquanto entre as mulheres o percentual chegou em 49,1%. Cerca de 0,6% das pessoas com trabalho foram consideradas extremamente pobres em 2024, enquanto entre os desocupados a proporção chegou a 13,7% e a 5,6% entre aqueles fora da força de trabalho.
Tendência para o futuro
A tendência para o resultado de 2025 ainda é de queda em níveis históricos, apesar de uma política monetária de juros básicos em 15% ao ano desacelerando a economia brasileira. Isso ocorre porque o desemprego segue em patamares muito baixos, em 5,4% no trimestre encerrado em outubro, o menor resultado da série, segundo dados divulgados no fim de outubro.
Já de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), cerca de 95 milhões de pessoa estão registradas no Cadastro Único (CadÚnico), a porta de entrada para os programas sociais do governo federal. Cerca de 88,3 milhões de pessoas receberam o Bolsa Família em 2025. Porém, para o resultado do ano seguinte, existe uma perspectiva de crescimento nos níveis de pobreza e extrema pobreza.
“Se não houver medidas compensatórias de programas sociais pode ser que haja um aumento [da pobreza], mas em 2025 já temos o vale-gás que não havia em 2024. Isso ajuda a aumentar a renda da população mais vulnerável. Temos que analisar o quanto a ocupação vai cair em compensação as políticas sociais incrementadas. Ainda não tem como afirmar”, destacou Rodrigues.


