Quem é o médico investigado pela PF em operação contra venda de ‘falso Mounjaro’

Um dos alvos da “Operação Slim”, da Polícia Federal (PF), que mira um grupo responsável por produzir e
vender clandestinamente medicamentos injetáveis para emagrecer
, as chamadas canetas emagrecedoras, é o médico, escritor e palestrante Gabriel Almeida, que acumula mais de 700 mil seguidores nas redes sociais.

No Instagram, Almeida também ganhou notoriedade ao vencer uma partida de pôquer com Neymar e ao se envolver em uma discussão com o nutricionista Daniel Cady, marido da cantora Ivete Sangalo. Natural da Bahia, ele atende em um consultório no Jardim Europa, área nobre de São Paulo.

De acordo com a PF, o grupo investigado manipulava ilegalmente
tirzepatida
substância presente no medicamento
Mounjaro
. A produção ocorreria sem licença sanitária, em desacordo com direitos de patente e acompanhada de estratégias de marketing digital que induziam o público a acreditar que a fabricação rotineira do composto seria permitida.

Ao todo, 24 mandados de busca e apreensão são cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Entre os bens apreendidos estão relógios de luxo, carros como Ferrari e Land Rover e até um jatinho particular.

O que diz o médico?

O advogado do médico, Gamil Föppel se posicionou na tarde desta quarta-feira (27). Em nota, afirmou que ele não produz medicamentos, e que a relação com a tirzepatida é apenas científica. Além disso, declarou que a manipulação da substancia é legal, apesar de no caso do médico, o vinculo ser apenas para ‘discussões do ponto de vista acadêmico’.

Por fim afirmou que o objeto da investigação não é a qualidade ou a eficácia da substância, mas sim uma ‘discussão jurídica sobre quebra de patente e direitos de propriedade intelectual do princípio ativo’.

O Mounjuaro é patenteado pela empresa Eli Lilly do Brasil. Que em suas redes sociais alerta os consumidores a respeito dos medicamentos falsificados:

“Os nossos produtos não são negociados diretamente por nós em nenhum site ou rede social. Distribuímos medicamentos somente para farmácias licenciadas e regularizadas, que seguem os padrões sanitários estabelecidos pela Anvisa”, declara em um post nas redes sociais.

A reportagem questionou se a empresa iria comentar o caso mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

O que diz a Anvisa

Em nota enviada a Itatiaia, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que oferece apoio técnico integral na identificação e na avaliação dos produtos objetos da investigação, que está sob sigilo judicial:

“Qualquer medicamento só pode ser comercializado por farmácias e drogarias e a venda fora destes estabelecimentos está irregular.

Para denúncias de problemas sanitárias é possível contata a própria vigilância sanitária do município ou a Anvisa pelo 0800642 9782.

Para todos os casos de falsficação identificados e confirmados pelos fabricantes autorizados são publicadas resoluções com determinação de apreensão para as autoridades locais”

Nota da defesa de Gabriel Almeida na íntegra

“O Dr. Gabriel Almeida é médico, escritor e palestrante. Ele não fabrica, não manipula e não rotula qualquer espécie de medicamento. A acusação de que ele seria responsável pela produção de fármacos é fática e tecnicamente impossível, visto que sua atuação profissional se restringe, exclusivamente, à medicina clínica e à docência.

A relação do Dr. Gabriel Almeida com a substância Tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) é estritamente científica e acadêmica. Em suas redes sociais, cursos e palestras, o médico exerce sua liberdade de cátedra para analisar, à luz de estudos internacionais, a farmacocinética da substância. O médico não faz propaganda de produtos ilegais; ele promove o debate técnico sobre as diferenças, vantagens e desvantagens entre a medicação de referência e as possibilidades da medicina personalizada (manipulados), sempre pautado na literatura médica vigente. Confundir debate científico com comércio ilegal é um erro grave de interpretação.

Em momento algum a Polícia Federal ou o inquérito imputam a prática de “falsificação” ou “adulteração” de medicamentos a quem quer seja. O objeto da investigação não é a qualidade ou a eficácia da substância, mas sim uma discussão jurídica sobre quebra de patente e direitos de propriedade intelectual do princípio ativo. Ou seja, a investigação em nada se relaciona com a saúde pública, mas tão somente com direitos patrimoniais de um fabricante.

A manipulação da Tirzepatida está em conformidade com a Nota Técnica 200/2025/SEI/GIMED/GGFIS/DIRE4/ANVISA e com o art. 43, III, da Lei 9.279/96, atividade perfeitamente autorizada, legal e administrativamente.

O Dr. Gabriel atua como prescritor. Cabe ao médico diagnosticar e indicar o tratamento; cabe ao paciente a livre escolha de onde adquirir sua medicação, e aos órgãos de fiscalização o controle sobre os laboratórios. Tentar responsabilizar o médico prescritor por supostas irregularidades de terceiros (farmácias ou laboratórios) é uma violação da lógica jurídica e da responsabilidade individual.

O Dr. Gabriel Almeida recebe com surpresa as medidas cautelares, visto que sua conduta sempre foi pública e transparente. Ele possui endereço fixo, atividade lícita reconhecida e está à inteira disposição da Polícia Federal e da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários, certo de que, ao final das investigações, sua idoneidade e inocência serão cabalmente comprovadas.

Movido pela absoluta certeza de sua inocência e pelo desejo de contribuir com as investigações, o Dr. Gabriel Almeida está adotando postura de total colaboração, realizando a entrega voluntária de seus telefones celulares e computadores à Polícia Federal para perícia técnica.

A investigação se limitou a dar cumprimento a um mandado de busca e apreensão, sem qualquer tipo de restrição à liberdade do Dr. Gabriel Almeida.

A defesa lamenta o julgamento midiático antecipado, sem que tivesse sido oportunizado qualquer esclarecimento, e reitera que a medicina praticada pelo Dr. Gabriel Almeida sempre teve como foco absoluto a saúde e o bem-estar de seus pacientes.”


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