Médicos dizem que Bolsonaro teve confusão mental e alucinações por medicamentos

A equipe médica que visitou o
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
em prisão preventiva, neste domingo (23), divulgou um boletim de saúde apontando para um quadro de confusão mental causada pelo uso de medicamentos que foram indicados por outra profissional. O episódio de “alucinações e paranoia” foi citado por Bolsonaro como um dos motivos para ter tentado romper o uso da tornozeleira eletrônica, onde ele achava que tinha uma escuta.

No documento, os médicos ressaltaram que Bolsonaro é portador de “múltiplas comorbidades e faz uso de diversos medicamentos em decorrência das internações e cirurgias prévias ocorridas desde 2018”, quando sofreu uma facada durante a campanha eleitoral. “No momento da nossa avaliação, ele encontra-se estável do ponto de vista clínico e passou a noite sem intercorrências”, disseram os médicos.

Segundo o boletim, o novo medicamento usado pelo ex-presidente possui efeitos colaterais com os que são usados para tratar as crises de soluços, tais como: “a alteração do estado mental com a possibilidade de confusão mental, desorientação, coordenação anormal, sedação, transtorno de equilíbrio, alucinações e transtornos cognitivos”.

Os médicos afirmaram que suspenderam o uso do medicamento, sem sintomas residuais no momento. Também foram realizados os ajustes necessários na medicação, restabelecendo a orientação anterior.

A defesa de Bolsonaro ressaltou o quadro de confusão mental para justificar a violação da tornozeleira eletrônica. Em manifestação enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados afirmam que “inexiste risco de fuga”, e voltaram a pedir a
prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente.

Após audiência de custódia neste domingo (23), Bolsonaro será
mantido em prisão preventiva
. De acordo com a ata da reunião, Bolsonaro afirmou que não sofreu qualquer abuso durante o cumprimento do mandado de prisão.

O ex-presidente ainda negou ter rompido a cinta cinta da tornozeleira e disse que estava acompanhado de familiares e um assessor, que não viram a ação. Sobre a vigília convocada pelo filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-presidente alegou que o ato ocorreria a cerca de 700 metros de sua casa, sem potencial para facilitar eventual fuga.

Veja a íntegra do Boletim

Brasília, 23 de novembro de 2025

Estivemos em visita ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, na superintendência da Polícia Federal em Brasília, na manhã de hoje. O paciente é portador de múltiplas comorbidades e faz uso de diversos medicamentos em decorrência das internações e cirurgias prévias ocorridas desde 2018. Apresentou recentemente pneumonia por broncoaspiração e evolui com soluços refratários. No momento da nossa avaliação, ele encontra-se estável do ponto de vista clínico e passou a noite sem intercorrências.

Na sexta-feira, 21 de novembro, o ex-presidente relatou que apresentou quadro de confusão mental e alucinações, possivelmente induzidos pelo uso do medicamento receitado por outra médica, com o objetivo de otimizar o tratamento, porém sem o conhecimento ou consentimento dessa equipe. Esse medicamento apresenta importante interação com os medicamentos que ele utiliza para tratamento das crises de soluços e tem como reconhecidos efeitos colaterais, a alteração do estado mental com a possibilidade de confusão mental, desorientação, coordenação anormal, sedação, transtorno de equilíbrio, alucinações e transtornos cognitivos.

O medicamento foi suspenso imediatamente, sem sintomas residuais neste momento. Foram realizados os ajustes necessários na medicação, restabelecendo a orientação anterior. Seguiremos acompanhando a evolução clínica do ex-presidente e realizando reavaliações periódicas.

Claudio Birolini, Cirurgião Geral
Leandro Echenique, Cardiologista

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