Eletrificação na indústria abre caminho para automação e produção mais segura

Minas Gerais atravessa um momento de intensa
transformação industrial
. A eletrificação, mais do que um simples ajuste tecnológico, redefine processos, amplia critérios de segurança e desenha novos horizontes de competitividade para pequenos, médios e grandes negócios do estado. Para entender os bastidores dessa transição, a Itatiaia ouviu Elaine Chaves de Almeida, técnica em eletrotécnica e supervisora técnica do Senai Contagem Euvaldo Lodi.

“A eletrificação é um dos pilares da modernização industrial em Minas Gerais. As mudanças mais significativas, especialmente no contexto da automação, estão ligadas à implementação das tecnologias da
Indústria 4.0
. Com energia elétrica estável e confiável, máquinas e sistemas podem operar com sensores inteligentes, robôs e controladores industriais automatizados, garantindo maior precisão e eficiência”, afirma Elaine.

Ela destaca também como as plantas industriais vêm absorvendo tecnologias de comunicação avançadas: “A eletrificação viabiliza a integração de tecnologias de comunicação avançadas, como 5G, IoT industrial e inteligência artificial, que permitem
otimizar processos
, prever falhas e reduzir desperdícios.”

Segundo a profissional, a transformação está nítida em eventos como o ENA – Encontro Nacional de Automação 2025, promovido pela FIEMG, onde os resultados práticos dessa nova era industrial tornam-se visíveis: plantas industriais mais inteligentes, seguras e competitivas.

Eficiência com segurança

Segurança é uma preocupação constante nesse cenário de alta demanda elétrica. “Com o aumento do uso de energia elétrica, problemas como flutuações de tensão, harmônicas e sobrecargas podem causar falhas nos equipamentos e aquecimento excessivo nos componentes culminando em incêndios. Por isso, as instalações devem ter dispositivos adequados para proteção, como disjuntores, relés inteligentes e aterramento eficiente”, alerta Elaine.

Ela ressalta ainda a necessidade de equipes de manutenção habilitadas e treinadas: “Com mais equipamentos elétricos e sistemas de automação instalados, é necessário também dispor de uma equipe de manutenção habilitada e treinada para manter as instalações funcionais e seguras, reduzindo riscos de choques elétricos e curtos-circuitos.”

A entrevistada ressalta, ainda, o apoio da FIEMG: “Empresas mineiras já estão avançando nessa direção. A
FIEMG apoia empresas que estão implementando geração fotovoltaica e práticas de governança que reduzem custos e aumentaram a segurança operacional. Há também a procura por consultoria para integrar práticas ESG e melhorar sua infraestrutura elétrica, garantindo maior confiabilidade nos processos.”

Para Elaine, “em um cenário onde a eletrificação é sinônimo de modernização, a segurança elétrica deixa de ser apenas uma exigência legal e se torna um diferencial competitivo. Afinal, indústrias mais seguras são também mais confiáveis e sustentáveis.”

Avanço com incentivo e economia

Ao analisar os impactos para pequenas e médias indústrias, Elaine aponta: “Destaca-se a possibilidade do uso do mercado livre de energia onde, desde 2024, pequenas e médias empresas conectadas à rede de média tensão podem migrar para essa modalidade, negociando contratos diretamente com geradoras e comercializadoras.” Isso permite economia significativa de custos e incentiva novos investimentos em tecnologia ou expansão, principalmente com o suporte da FIEMG para transições desse porte.

Por fim, a profissional sublinha um desafio: “Percebe-se a dificuldade da adequação da infraestrutura elétrica, da aquisição de equipamentos eficientes e falta de recurso para instalação de sistemas de geração própria, principalmente pelas pequenas indústrias que enfrentam barreiras financeiras para esses investimentos.”

A eletrificação, descrita por Elaine de Almeida como pilar central da modernização industrial em Minas Gerais, é indispensável para redefinir o cotidiano das empresas, cabe os empresários e gestores a busca por alternativas de incentivo e de economia de recursos para assim ampliar a automação, a segurança e a abertura de novas oportunidades para as pequenas e médias indústrias.

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