Canetas para diabetes e obesidade ganham espaço entre jovens, mas uso requer cautela

O uso de canetas injetáveis para tratar obesidade e diabetes em crianças e adolescentes tem crescido e despertado atenção de especialistas.

Essas canetas imitam um hormônio natural produzido no intestino e ajudam a controlar a fome e a glicose. Segundo médicos, elas podem se tornar uma das principais estratégias no tratamento dessas doenças, caso se provem seguras para essa faixa etária.


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Entre 2015 e 2023, o número de atendimentos de jovens com obesidade e diabetes tipo 2 aumentou 430% e 225%, respectivamente, no Brasil.

A pediatra Fabíola Isabel Suano, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), explica que a obesidade infantil é resultado de um ambiente que favorece o ganho de peso. Segundo ela, fatores como o consumo excessivo de ultraprocessados, o sedentarismo e a falta de tempo para hábitos saudáveis estão entre os principais motivos.

No Brasil, a Anvisa já aprovou o uso de Wegovy e Saxenda para adolescentes a partir de 12 anos no tratamento da obesidade.

Já o Ozempic, indicado para diabetes, e o Mounjaro, usado em adultos, ainda não têm liberação para menores de idade.

A farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, pediu à Anvisa autorização para uso a partir dos 10 anos. O pedido foi feito com base em um estudo que mostrou perda média de 15% do peso e melhora no controle da glicose em jovens.


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Segundo a endocrinologista Maria Edna de Melo, da USP, as canetas podem se tornar uma ferramenta importante quando dieta e exercícios não são suficientes.

“Sozinho, o remédio não tem o efeito ideal, mas, associado à mudança de estilo de vida, pode ajudar bastante”, afirma.

Os especialistas ressaltam, porém, que ainda não há estudos que comprovem a segurança dessas medicações no longo prazo para crianças e adolescentes.

Reações como enjoo, náusea e constipação são as mais comuns. Há também preocupação sobre possíveis impactos no crescimento e no desenvolvimento.

Além dos efeitos colaterais, o custo e a forma injetável dificultam a adesão ao tratamento. Outro ponto de alerta é o uso indevido das chamadas “canetas emagrecedoras” por adolescentes influenciados por padrões estéticos.]


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“Esses medicamentos só devem ser usados com acompanhamento médico, que deve avaliar o crescimento, o desenvolvimento e a saúde mental dos pacientes”, reforça Fabíola.

Os médicos alertam que a obesidade é uma doença complexa e coletiva, que não deve ser tratada como escolha individual.

“Se essas canetas forem usadas sem critério, corremos o risco de substituir um problema, a obesidade, por outro, que é a busca pelo corpo perfeito”, conclui a pediatra.

Com agências
(Sob supervisão de Aline Araújo)

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