Peso argentino continua caindo mesmo com intervenção dos Estados Unidos

O peso argentino opera em queda nesta sexta-feira (17) frente ao dólar, mesmo com a intervenção do Tesouro dos Estados Unidos como parte do acordo para equilibrar o mercado cambial. Na abertura do pregão, a moeda abriu a 1.405 pesos para cada dólar, mas por volta de 13h já havia avançado a 1.441,98 em uma desvalorização de 2,6%.

Pela manhã, o secretário do Tesouro dos americano, Scott Bessent, anunciou que os Estados Unidos haviam comprado pesos no “swap de blue chips” e no mercado à vista. O movimento permite que um investidor compre a moeda desvalorizadas e depois venda no exterior por uma moeda mais forte, criando liquidez.

Bessent, no entanto, não anunciou o valor da operação. No início da semana, a Argentina havia anunciado que estava próxima de fechar um
acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões
. “O Tesouro mantém uma comunicação estreita com a equipe econômica argentina, permanecendo atento a todos os mercados e tem a capacidade de agir com flexibilidade e firmeza para estabilizar a Argentina”, disse o americano.

Porém, investidores acreditam que nem mesmo o socorro americano pode ser capaz de ajudar a economia argentina, apostando em uma derrota da base do presidente Javier Milei nas eleições legislativas de 26 de outubro. Segundo o Bloomberg, o mercado aposta que a agenda de reformas será prejudicada.

A crise no câmbio inclusive começou quando o partido de Milei perdeu as eleições locais na província de Buenos Aires, considerado um termômetro para o pleito nacional. Com o governo afetado por um suposto caso de corrupção da irmã e secretária-geral do presidente, Karina Milei, a oposição peronista venceu o pleito por 13 pontos.

Na terça-feira (14), durante encontro com Milei, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos só ajudariam a economia argentina caso
houvesse vitória do governo no final do mês. “Estamos aqui para dar a você o apoio que precisa para as próximas eleições. Se a Argentina for bem, outros países seguirão. Mas se não ganhar, não contará conosco. Se não ganhar, não seremos generosos com a Argentina”, disse o republicano.

No final de setembro, o peso argentino voltou a “derreter” e o governo precisou intervir para evitar uma queda ainda maior. Segundo o jornal “La Nación”, o Banco Central precisou injetar US$ 748 milhões no mercado, reduzindo as reservas. Desde que o período de estabilidade passou, a
gestão Milei já vendeu quase US$ 3 bilhões.

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