Dólar cai com conversa de Mauro Vieira e Rubio no radar de investidores

O dólar registrou uma queda de 0,37% nesta quinta-feira (16), cotado a R$ 5,44, com a primeira reunião presencial entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o seu
homônimo dos Estados Unidos, Marco Rubio
, no radar dos investidores. Em Washington, os dois discutiram os termos das tarifas de importação sobre os produtos brasileiros.

A sobretaxa de 50% sobre os produtos brasileiros entrou em vigor em agosto, mas nos últimos meses a perspectiva de negociação entre os dois países melhorou. O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump
conversaram sobre o assunto por telefone na semana passada na última segunda-feira (6).

Apesar de ainda não terem um resultado concreto, e o fim das tarifas ainda estarem longe no horizonte, a perspectiva é de diminuição de risco sobre os ativos brasileiros. Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Leonel Mattos, o encontro entre Vieira e Rubio aumenta as expectativas de uma redução das tensões comerciais.

“Embora ainda seja cedo para avaliar os resultados da reunião, (…) Esse movimento tende a diminuir a percepção de risco sobre ativos brasileiros, favorecendo o desempenho do real e de outros ativos domésticos”, explicou.

No cenário global, a tensão entre Estados Unidos e China ainda é acompanhada de perto pelo mercado. Trump e o presidente da China, Xi Jinping, devem se reunir no final deste mês na Coreia do Sul, na cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).

A redução da taxa básica de juros nos Estados Unidos, enquanto a Selic no Brasil continua elevada, também anima os investidores. Nesta quinta, o diretor do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, Christopher Waller, defendeu um corte de 0,25 ponto percentual (p.p) na reunião deste mês.

Ibovespa cai 0,28%

No cenário doméstico, o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira, caiu 0,28% a 142.200 pontos. No país, a principal notícia foi o
crescimento de 0,4% da economia em agosto, abaixo do esperado pelo mercado.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR) recuperou a queda de 0,5% em julho. Apesar do sinal positivo, os analistas já observam uma desaceleração da economia com a Selic em 15% ao ano. Os juros afetam os setores mais sensíveis ao crédito, como o agronegócio, que registrou queda de 2%.

Para o economista sênior do banco Inter, André Valério, os resultados reafirmam a tendência de acomodação no crescimento da economia já observado nas últimas leituras. “A economia dá sinais de que a política monetária muito restritiva e o baixo nível de confiança dos empresários têm surtido o efeito no desempenho econômico, mesmo com a política fiscal ainda dando algum suporte, com o pagamento de precatórios no fim de julho”, disse.

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