Trump amplia tarifa global para 15%, mas blinda carne e suco de laranja brasileiros
O presidente Donald Trump anunciou na tarde deste sábado (21) o
aumento da tarifa global de importação de 10% para 15%
A decisão fundamenta-se na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, um dispositivo que permite ao Executivo aplicar alíquotas de até 15% por um período de 150 dias para corrigir desequilíbrios no balanço de pagamentos, dispensando investigações prévias.
Mecanismo da ‘tarifa cumulativa’
Diferente de ajustes anteriores, a nova taxa de 15% será cumulativa. Isso significa que ela será somada às alíquotas que já incidem normalmente sobre os produtos na alfândega americana.
O anúncio ocorre em meio a um embate jurídico. Recentemente, a
Suprema Corte dos EUA rejeitou formatos anteriores de aplicação de tarifas,
“A decisão da Corte não anulou as tarifas, apenas um de seus formatos de aplicação. Existem outros caminhos legais para manter a cobrança e proteger a economia americana”, afirmou o presidente.
Isenções estratégicas
Para evitar choques na cadeia de suprimentos interna e na inflação de alimentos, o governo americano listou exceções cruciais. Além dos parceiros do USMCA (Canadá e México), os seguintes itens brasileiros estão fora do “tarifaço”:
- Proteína animal: Carne bovina.
- Hortifrúti: Tomates e laranjas in natura.
- Bebidas: Suco de laranja (confirmado pela CitrusBR).
- Insumos e energia: Fertilizantes, minerais críticos e energia.
Reações do setores
Apesar das isenções anunciadas, o clima entre as entidades de classe brasileiras permanece de monitoramento intensivo, uma vez que o impacto da nova alíquota varia drasticamente entre os segmentos. No setor de pescados, a Abipesca demonstra otimismo, projetando uma recuperação da competitividade internacional e a potencial recontratação de até 5 mil trabalhadores que haviam sido desligados durante o período de tarifas mais elevadas.
Já a CitrusBR, que representa os exportadores de suco de laranja, manifestou alívio ao confirmar que o produto não sofrerá a sobretaxa de 15%. Por outro lado, o setor cafeeiro que
havia comemorado o fim do tarifaço nesta sexta (20)
Para Eduardo Lobo, representante da Abipesca, a clareza sobre as regras pode estancar a sangria do setor, que viu as exportações caírem de uma projeção de US$ 600 milhões para US$ 400 milhões no último ano devido à instabilidade tarifária.
Próximos passos
O mercado agora aguarda a publicação oficial da lista completa de códigos tarifários afetados para entender se subprodutos do agro, aina não listados nas isenções, sofrerão o impacto indireto da medida.
*Com informações da CNN Brasil


