Por que o Brasil não avança em infraestrutura? Presidente do Sicepot-MG analisa
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Itatiaia Negócios Cast
Ao longo da entrevista, Bruno defende que a i
nfraestrutura é a base para todos os setores da economia
Para o presidente do Sicepot-MG, o erro recorrente do país está em pensar infraestrutura apenas no curto prazo. “A infraestrutura não se faz da noite pro dia. Ela tem que ser planejada para daqui a 5, 10, 15 anos”, disse. Ele destacou que a ausência desse planejamento afasta projetos, encarece a produção e limita o crescimento econômico e social.
Bruno também falou sobre o perfil de quem atua na construção pesada, setor marcado por grandes obras e operações fora dos centros urbanos. “Tem que gostar da dinâmica de estar sempre fazendo acontecer e, acima de tudo, ter uma paixão por estar construindo o nosso país”, afirmou. Para ele, o sentimento de pertencimento e de impacto direto na sociedade é um diferencial de quem escolhe esse caminho profissional.
Na liderança de um sindicato que reúne mais de 230 empresas, Bruno explicou que a atuação associativista exige capacidade de diálogo, articulação política, conhecimento técnico e resiliência. Segundo ele, representar empresas de portes e segmentos diferentes exige colocar o interesse coletivo acima do individual. “Quando você chega na posição de associativista, você tem que pensar muito mais no coletivo do que nos interesses pessoais”, disse.
Um dos pontos centrais da conversa foi o problema das obras públicas caras e atrasadas. Bruno afirmou que essa é a principal pauta do sindicato e apontou a
modelagem como raiz do problema
Segundo Bruno, o processo começa errado ainda na contratação dos projetos. Falhas de planejamento, projetos mal elaborados e licitações baseadas apenas em menor preço geram obras inviáveis. “O erro nasce no papel”, afirmou durante o quadro Raio X do programa. Para ele, a falta de qualificação técnica adequada empurra problemas para a execução e leva à paralisação das obras.
Ao comentar a nova lei de licitações, Bruno reconheceu avanços, mas destacou o medo do gestor público em tomar decisões. O chamado “apagão das canetas” foi citado como um dos grandes entraves. “O gestor público hoje tem medo de assinar”, disse, ao defender maior segurança jurídica para diferenciar erro técnico de má-fé.
O episódio também abordou os gargalos de infraestrutura em Minas Gerais, com destaque para saneamento e logística. Bruno ressaltou que o custo logístico representa cerca de 19% do custo
Brasil e compromete a competitividade do país. “Infraestrutura não é gasto, é investimento”, afirmou ao apresentar dados sobre geração de empregos e retorno econômico.
Na Pergunta de Ouro da audiência, Bruno reforçou que sem estrada, saneamento e transporte funcionando, o Brasil e Minas Gerais não conseguem crescer. Ele destacou que cada emprego direto em obras de infraestrutura gera outros 8,7 empregos na economia e que cada real investido retorna R$ 1,70.
O episódio com Bruno Ligório reforça o posicionamento do Itatiaia Negócios Cast como espaço de debate qualificado sobre decisões estruturantes, políticas públicas e os caminhos para o desenvolvimento econômico sustentável.


