População de BH reclama do aumento de imposto sobre a gasolina: ‘Absurdo’

O ano de
2026 começou com o combustível mais caro
. Segundo uma decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), entrou em vigor nesta quinta-feira (1º) um novo convênio dos estados que reajusta as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para gasolina, diesel e gás de cozinha.

O colegiado, que reúne os secretários de Fazenda dos 26 estados e do Distrito Federal, havia anunciado o aumento no dia 8 de setembro de 2025, com uma publicação no Diário Oficial da União (DOU). A medida vai elevar em R$ 0,10 o tributo cobrado sobre o litro da gasolina, passando de R$ 1,47 para R$ 1,57, um reajuste na ordem de 6,8%.

A reportagem da Itatiaia foi às ruas ouvir a opinião da população sobre a mudança. Supervisor de uma empresa em Belo Horizonte, Valdinei classificou a medida como um absurdo, uma vez que os aumentos dos preços não acompanham o aumento do salário. “A gente que é trabalhador acaba pagando o pato”, disse.

No caso da gasolina,
o aumento é ligeiramente maior do que o salário mínimo
. O piso também teve um reajuste neste 1º de janeiro, saindo de R$ 1.518 para R$ 1.621, resultando em um avanço de 6,7%. O salário é reajustado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que nos últimos 12 meses terminados em novembro ficou com uma alta acumulada de 4,18%.

O sommelier Lelis compartilha a mesma visão de Valdinei. Ele afirma ser um “absurdo” o aumento dos preços não acompanhar o aumento do salário mínimo. O homem também afirma que os postos já elevaram o preço na bomba no dia 31 de dezembro. “Pegou muita gente desprevenida”, disse.

Trabalhando diretamente com combustíveis, o frentista Renato Pires também classificou a medida como ruim. “Vai puxar [o preço de] tudo, e o combustível é o carro chefe”, ressaltou o trabalhador.

Aumento geral

Além da gasolina, o diesel e biodiesel padrão tiveram um aumento de ICMS na ordem de 4,4%, passando de R$ 1,12 para R$ 1,17, o que representa um acréscimo de R$ 0,05. Já para o gás liquefeito de petróleo (GLP), também conhecido como gás de cozinha, a alíquota passa de R$ 1,39 para R$ 1,47 por quilo, equivalente a um reajuste de 5,7% e alta de R$ 1,05 por botijão de 13 kg.

O reajuste considera os preços médios mensais dos combustíveis divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no período de fevereiro a agosto de 2025, em comparação ao mesmo período de 2024. Cabe lembrar que esse aumento não tem relação com o fim da política de paridade de preços da Petrobras, usada para reajustar os valores dos combustíveis com base na cotação do dólar e do petróleo no mercado internacional.

Segundo um levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que consolida o comportamento de preços das transações realizadas em postos de todo o país, o preço médio da gasolina teve uma alta de 0,16% em dezembro, na comparação com novembro. O valor do litro na bomba chega em R$ 6,34.

“No caso da gasolina, a alta foi pontual e moderada, enquanto o etanol sofreu maior pressão, influenciado por questões de oferta e demanda e pela competitividade do biocombustível em algumas regiões, especialmente no fim do ano, período de maior consumo”, explicou.

Veja o aumento do ICMS dos combustíveis

ICMS 2025 2026 Variação %
Gasolina (L) R$ 1,47 R$ 1,57 6,8%
Diesel e biodiesel (L) R$ 1,12 R$ 1,17 4,4%
Gás de cozinha (por KG) R$ 1,39 R$ 1,47 5,7%

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