Ministro do TCU diz que liquidação do Master pode ter sido ‘precipitada’
O ministro Jonathan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), disse nesta sexta-feira (19) que a
liquidação do Banco Master
O TCU foi provocado por uma representação do Ministério Público junto à Corte, que aponta para um “efeito cascata” da liquidação do Master sobre agentes do Sistema Financeiro Nacional (SFN), afetando credores, investidores depositantes, impondo um prejuízo relevante ao
Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
No documento, o ministro destacou que o Master estava em processo de venda e, pouco antes da liquidação, havia anunciado a previsão de um aporte de R$ 3 bilhões por um grupo privado. Jonathan de Jesus também citou as tratativas de reorganização societária do conglomerado
liderado pelo empresário Daniel Vorcaro
“Em juízo preliminar, tais elementos sugerem hipótese de que a atuação da autarquia pode ter se caracterizado, de um lado, por demora relevante na condução e no equacionamento de alternativas de mercado e, de outro, por precipitação na adoção da medida extrema de liquidação, em contrariedade ao dever legal de considerar, de modo motivado, soluções alternativas e menos gravosas para o sistema financeiro”, disse o magistrado.
O ministro Jonathan de Jesus também determinou que o BC se abstenha de autorizar ou participar de atos que resultem na venda ou desmobilização de bens de capital essenciais para preservar o valor e ativos relevantes do Banco Master e suas subsidiárias. “Tais atos possam produzir efeitos de difícil reversão”, afirmou.
Outra medida foi a determinação de providências de supervisão, a fim de assegurar que o liquidante do Master mantenha os atos de gestão e conservação patrimonial indispensáveis à preservação do valor do Banco e ao atendimento dos credores.
O conglomerado do Master e Daniel Vorcaro foram alvos da
operação Compliance Zero, da Polícia Federal
As apurações contra Vorcaro e o Master começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.


