Gripe K já tem casos no Brasil: veja sintomas, riscos e se a vacina protege
A gripe K,
uma variação genética do vírus influenza A (H3N2)
Estados Unidos e no Canadá
Conforme o Ministério da Saúde, o
Brasil tem quatro casos confirmados da gripe K
importado, no Pará
Para esclarecer o tema, a reportagem conversou com a pneumologista Michele Andreata, da empresa Saúde no Lar, que alertou a população e explicou quais grupos estão mais vulneráveis a complicações associadas à variante.
O que é a gripe K e como ela se diferencia das gripes sazonais?
Segundo a especialista, gripe K é um nome informal usado para se referir a uma variação genética do vírus influenza A (H3N2), conhecida como subclado K, também identificado como J.2.4.1.
“Ela não é um vírus novo, mas uma linhagem dentro do H3N2 que ganhou atenção por estar aumentando em alguns países e por possíveis diferenças de escape imunológico, algo que faz parte da evolução natural do influenza sazonal”, explicou.
Quais são os sintomas mais comuns da gripe K?
De acordo com Michele Andreata, os sintomas são típicos da influenza e incluem:
- Febre
- Dor no corpo
- Tosse
- Dor de garganta
- Coriza ou congestão nasal
- Cefaleia e prostração
“Na prática, para a maioria das pessoas, o quadro clínico se parece muito com a gripe sazonal. O que muda é o contexto epidemiológico, a circulação local do vírus e o risco individual de complicações”, alertou.
A gripe K causa quadros mais graves?
Segundo a médica, até o momento, informes internacionais não apontam mudanças significativas na gravidade clínica associadas ao subclado K. No entanto, temporadas dominadas pelo H3N2 costumam impactar mais a população idosa.
O Ministério da Saúde informou que não há evidências de que a variante esteja relacionada a maior gravidade dos casos. “O principal ponto de atenção é a combinação entre H3N2, grupos de risco e pressão sobre os serviços de saúde, e não uma virulência intrinsecamente maior da cepa”, explicou.
Quem corre mais risco de complicações?
Os grupos mais vulneráveis continuam sendo os mesmos para a influenza, segundo a especialista:
- Idosos
- Gestantes
- Crianças
- Pessoas com doenças crônicas, como cardiopatias, pneumopatias (asma e DPOC), diabetes, doença renal, obesidade, além de imunossuprimidos
“Nesses públicos, a influenza pode evoluir para pneumonia viral, infecção bacteriana secundária, descompensação de doenças de base e necessidade de internação”, afirmou.
A vacina protege contra a gripe K?
O governo federal observou que, em 2025, o Brasil registrou um comportamento fora do padrão do vírus influenza A (H3N2), com aumento de casos no segundo semestre, antes mesmo da identificação do subclado K no país.
A região Centro-Oeste foi a primeira a registrar crescimento dos casos, seguido pela disseminação para outros estados. Atualmente, Centro-Oeste e Sudeste apresentam queda nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à influenza, enquanto Norte e Nordeste ainda registram tendência de aumento.
Segundo a pneumologista, a vacinação anual continua sendo a principal forma de prevenir casos graves e hospitalizações.
“As evidências específicas de efetividade contra o subclado K ainda são limitadas, mas dados preliminares indicam proteção semelhante à de anos anteriores contra doença grave, inclusive hospitalização, o que reforça a importância de manter e ampliar a cobertura vacinal”, destacou.
Ela explicou ainda que as vacinas contra a influenza são atualizadas regularmente, conforme recomendações internacionais e os vírus em circulação.
Além da vacinação, seguem válidas medidas como “higienização das mãos, etiqueta respiratória, permanência em casa em caso de febre ou sintomas, ventilação de ambientes e evitar aglomerações em locais fechados. O uso de máscara também é recomendado para pessoas sintomáticas”.
Como diferenciar a gripe K de outras infecções respiratórias?
“Somente pelos sintomas é difícil, porque há grande sobreposição entre influenza, covid-19 e outros vírus respiratórios”, explicou Michele Andreata.
Segundo ela, a diferenciação mais confiável ocorre por meio do diagnóstico laboratorial, como testes rápidos, RT-PCR e painéis multiplex, conforme a disponibilidade da rede de saúde. A avaliação também leva em conta o tempo de início dos sintomas, a gravidade, as comorbidades e o cenário epidemiológico.
“Identificar a influenza precocemente é especialmente importante em grupos de risco, porque há uma janela para uso de antivirais quando indicado”, concluiu.


