Consumo das famílias despenca no terceiro trimestre, e governo vê reflexo do juros

O nível de consumo das
famílias desacelerou de 1,8% para 0,4%
do segundo para o terceiro trimestre de 2025, segundo dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (4). O resultado reflete um recuo no consumo de bens duráveis e não duráveis, além da redução no ritmo de consumo de produtos semiduráveis e de serviços, o que ajudou a segurar o setor.

“A desaceleração do consumo está associada ao desaquecimento dos mercados de trabalho e crédito no terceiro trimestre, em resposta aos impactos defasados da política monetária restritiva”, analisou a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, em nota técnica.

Com a taxa básica de juros em 15% ao ano, o custo do crédito para as famílias fica mais caro, desacelerando o consumo. A Selic é mantida em patamares elevados como uma estratégia do Banco Central para desacelerar a economia e conter a inflação, acumulada nos últimos 12 meses em 4,68%. A autoridade monetária persegue uma meta de 3%.

No acumulado de quatro trimestres, o consumo das famílias está com um crescimento de 2,1%. No mesmo período do ano passado, o indicador teve um avanço de 5,1%, e de 3,2% em 2023. A queda é um sinal de desaceleração da economia brasileira.

No geral, o setor de serviços teve um avanço modesto no trimestre de 0,1%, segurando o
avanço do PIB total na mesma porcentagem
. O segmento tem o maior impacto na economia brasileira, e sente mais os impactos da política monetária restritiva. A expectativa do mercado financeiro é de que os juros só voltem a cair em janeiro de 2026.

Crescimento na margem

Em linhas gerais, o mercado financeiro projetava um aumento de 0,2% do PIB, de acordo com levantamento da agência Bloomberg. O destaque ficou com a agropecuária, que cresceu 0,4%, e a indústria, em uma variação positiva de 0,8%.

Apesar da desaceleração, a SPE espera um crescimento positivo na margem no quarto trimestre. Com os resultados do terceiro trimestre incorporados nas simulações, o governo projeta um crescimento do agro em níveis superiores a 9,5%. Para a indústria, a projeção é de expansão de 1,3%. Enquanto do lado dos serviços, a expansão de 1,9% deve ser revisada para baixo.

“Considerando todas essas mudanças, o viés de revisão para o PIB de 2025 é de alta. O carregamento estatístico até o terceiro trimestre já é de 2,2%, similar ao crescimento que a SPE projetava antes para o ano. No entanto, a expectativa continua sendo de crescimento positivo na margem ainda no quarto trimestre, repercutindo, principalmente, uma leve melhora no desempenho dos serviços”, disse a nota do SPE.

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