OMS alerta para aumento de quase 80% nos casos de câncer até 2050
O
número de novos casos de câncer
Os dados foram apresentados por Elisabete Weiderpass, diretora da Agência Internacional para Pesquisa de Câncer da OMS, durante o seminário Controle do Câncer no século XXI: desafios globais e soluções locais, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira (27), no Rio de Janeiro, em alusão ao
Dia Nacional de Combate ao Câncer
“São 10 milhões de mortes por câncer no mundo por ano. O câncer de pulmão foi o mais diagnosticado, com 2,5 milhões de novos casos, seguido pelo de mama e colorretal. Ele também é a principal causa de mortalidade, com 1,8 milhão de óbitos”, destacou Elisabete.
Desigualdade global
A diretora ressaltou que o
câncer é uma doença global
Elisabete destacou ainda o impacto econômico da doença: a perda de produtividade causada por mortes prematuras entre pessoas de 15 a 64 anos soma US$ 566 bilhões, equivalente a 0,6% do PIB global, com maior efeito nas regiões da África Oriental e Central.
Cenário no Brasil
No país, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 700 mil novos casos ao ano no triênio 2023-2025. Segundo a OMS, esse número deve alcançar 1,15 milhão até 2050, um aumento de 83% em relação a 2022, enquanto as mortes podem chegar a 554 mil, quase o dobro do registrado atualmente.
“É um aumento massivo. Sem dúvida, isso vai estrangular o sistema de saúde e precisa ser discutido agora, para evitar problemas futuros no manejo e controle dos casos”, alertou Elisabete.
O
ministro da Saúde, Alexandre Padilha
Câncer como doença crônica e desafio social
O diretor-geral do Inca, Roberto Gil, ressaltou que o câncer tende a se tornar a principal causa de mortalidade no Brasil, especialmente em uma população envelhecida. “O combate ao câncer precisa ser entendido como controle, já que é uma doença crônica que requer manejo contínuo. Populações vulneráveis estão sendo negligenciadas devido a fatores de gênero, raça e condição econômica”, disse.
Para o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, o câncer é influenciado por determinantes sociais. “Precisamos desenhar políticas públicas inclusivas que tratem a doença de forma preventiva e curativa, considerando a desigualdade do país”, afirmou.
O seminário foi coordenado pelo ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão e pelo ex-diretor do Inca Luiz Antonio Santini, que lideram o projeto Doenças Crônicas e Sistemas de Saúde – Futuro das Tecnologias de Diagnóstico e Tratamento do Câncer, do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz.
* Informações com Agência Brasil


