Bertha Maakaroun | Posição política afeta o interesse do brasileiro pelas mudanças climáticas

De Norte a Sul, embora 94% dos brasileiros tenham a percepção de alguma mudança no clima, apenas 77% manifestam preocupação. Um pouco abaixo da média brasileira, em Minas Gerais 92,4% percebem alguma alteração no clima e 75% manifestam preocupação com a questão.

A preferência política está associada à frequência de preocupação informada com as mudanças climáticas, tema que está no centro do debate global, neste momento na COP 30: entre lulistas, entre pessoas que se identificam com a esquerda e entre pessoas que não têm posicionamento político, há mais pessoas preocupadas – respectivamente 84%, 77% e 79% – em relação ao grupo de bolsonaristas e da direita não bolsonarista, em que, nessa ordem, 70% e 76% manifestam preocupação. No grupo de bolsonaristas registra-se a maior ocorrência de pessoas despreocupadas com as mudanças climáticas: 9%. No extremo oposto da escala de preferência política, entre lulistas, 1% informa não se preocupar nem um pouco com as mudanças climáticas.

Os resultados integram a pesquisa “Percepção dos brasileiros sobre as mudanças climáticas”, realizada pela Quaest entre 3 e 16 de julho, com a população brasileira maior de 16 anos. Foram duas mil entrevistas aplicadas em todas as regiões do país, o que confere às estatísticas uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%. A partir dos dados, foi gerado um novo indicador para mensurar a percepção do brasileiro com as mudanças de clima, denominado Índice de Percepção de Mudanças no Clima (IPM-Clima).

Entre os efeitos mais sentidos pela população brasileira estão ondas de calor mais intensas (69%), secas prolongadas (42%), mudanças no padrão de estações do ano (35%), geadas ou ondas de frio mais intensas do que o normal (34%), incêndios florestais mais intensos (32%) e chuvas mais intensas do que o normal (32%).

Na avaliação de Marina Siqueira, doutora em Ciência Política e Diretora da Quaest, o estudo apresenta um Brasil diverso. “Cada região vive de forma diferente os efeitos das mudanças climáticas, e alguns grupos se mostram mais sensíveis a determinados fenômenos”, assinala, considerando que as ondas de calor mais intensas do que o normal são percebidas mais no Sudeste em relação às demais regiões. Já as geadas ou ondas de frio mais intensas são mais relatadas no Sul. Já as secas mais prolongadas são sentidas mais no Centro-Oeste em relação às demais regiões do país.

Segundo os dados da Quaest, quando atribuem responsabilidades pelas mudanças climáticas, em respostas múltiplas, 84% culparam o setor produtivo; 38% a sociedade de consumo; e 29% o governo/poder público.

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