Motta esteve com Derrite e diretor da PF para tratar sobre o combate ao crime organizado
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (10) que intermediou uma conversa entre o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para discutir as investigações da PF no combate ao crime organizado.
Em publicação no X (antigo Twitter), Motta disse que o objetivo do diálogo foi assegurar que a Polícia Federal manterá suas atribuições nas
apurações sobre facções e organizações criminosas
“Intermediei um diálogo entre o deputado @DerriteSP e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com a finalidade de garantir que a PF manterá suas atribuições nas investigações contra o Crime Organizado”, escreveu o parlamentar.
Discussão ocorre em meio a debate sobre competências policiais
O Congresso neste momento discute projetos de lei voltados à segurança pública, entre eles o PL Antifacção (5582/2025) e o PL Antiterrorismo (1283/2025), que tratam da atuação de forças de segurança federais e estaduais no combate ao crime organizado.
Motta tem buscado aproximar as instituições envolvidas na formulação e execução das políticas de segurança, defendendo que o enfrentamento às facções criminosas exige coordenação nacional e autonomia técnica das forças de investigação.
A Polícia Federal emitiu uma nota, leia na íntegra:
A Polícia Federal acompanha com preocupação as alterações produzidas pelo relatório sobre o Projeto de Lei Antifacção, atualmente em debate no Congresso Nacional.
A proposta original, encaminhada pelo Governo do Brasil, tem como objetivo endurecer o combate ao crime e fortalecer as instituições responsáveis pelo enfrentamento às organizações criminosas. Entretanto, o texto em discussão no Parlamento ameaça esse propósito ao introduzir modificações estruturais que comprometem o interesse público.
Pelo relatório apresentado, o papel institucional histórico da Polícia Federal no combate ao crime — especialmente contra criminosos poderosos e organizações de grande alcance — poderá sofrer restrições significativas. A execução de operações pela Polícia Federal dependeria de solicitação do governo estadual da região investigada, o que constitui um risco real de enfraquecimento no combate ao crime organizado.
Essa alteração, somada à supressão de competências da Polícia Federal, compromete o alcance e os resultados das investigações, representando um verdadeiro retrocesso no enfrentamento aos crimes praticados por organizações criminosas, como corrupção, tráfico de drogas, desvios de recursos públicos, tráfico de pessoas, entre outros.
É importante ressaltar que, em agosto, a Polícia Federal realizou a maior operação contra o crime organizado da história do país. Pelas regras propostas no relatório em discussão, operações como essa estariam sob ameaça de não ocorrerem ou de terem seus efeitos severamente limitados.
A Polícia Federal reafirma que continuará defendendo suas atribuições constitucionais e a preservação da sua autonomia funcional, a fim de garantir o cumprimento da lei e a defesa da sociedade brasileira.


